O que teriam em comum Recife e Nova York? Se parece uma proposição complicada, pense mais: quais as afinidades entre a capital pernambucana, o templo capitalista do século 20 e os judeus? Muito, demonstra a jornalista Valdívia Beauchamp, que lança hoje, às 19h30, na Casa Thomas Jefferson da 706 Sul, o livro Stigma – Saga por um Novo Mundo.
Pernambucana e descendente de holandeses, Valdívia foi feliz em seu mergulho histórico ao pincelar elementos de ficção à trajetória real dos judeus sefardim (de origem ibérica) que saíram da Nova Holanda (Pernambuco) rumo à Nova Amsterdã, nos Estados Unidos, cidade que, posteriormente, viria a ser Nova York. Mais que nunca, demarcam-se aqui as profundas raízes judaicas da metrópole glamourizada como a Big Apple.
O que se encontra em Stigma, na verdade, é um leque de aprendizados. A autora retoma a importante passagem do Conde Maurício de Nassau pelos fundamentos de Pernambuco, o ciclo da cana-de-açúcar e as marcas profundas que deixou, especialmente no Recife, a primeira leva de colonizadores judeus, desde sempre familiarizados com a iminência da fuga em massa que, nesse caso específico, acabou enriquecendo cada lugar onde eles conseguiram se alojar, longe da perseguição.
É o que nos suscita uma reflexão clara: assim como ao sucesso do projeto Nova York se deve a contribuição judaica, o quinhão pernambucano de nosso vasto território nacional tem muito de sua prosperidade originada na atuação dos judeus. Natural. Um povo perseguido desde o berço sabe o valor de cada grão de terra conquistado. E enriquece-o, isso não é novidade, como ninguém.