A nova versão para a clássica novela de Jane Austen, Orgulho e Preconceito – que estréia hoje nos cinemas –, pode se considerar a primeira. Apesar de vir 65 anos após a adaptação cinematográfica original – com Greer Garson e Laurence Olivier – e dez de sua última versão televisiva (em minissérie britânica estrelada por Jennifer Ehle e Colin Firth), o novo Orgulho e Preconceito, de Joe Wright, procura se ater precisamente aos conceitos e detalhes do texto de Austen. Deleita-se no talento de jovens atores (Keira Knightley e Matthew MacFadyen) e tenta manter-se honesto ao cenário transcrito pela autora e minunciosamente detalhado na elaboração do perfil dos personagens – desde a idade ao temperamento de cada um deles.
O filme nasce belo, permanece sóbrio, mas não arranca grandes suspiros ao selar o romance entre Elizabeth Bennet (Knightley) e o Sr. Darcy (MacFadyen), construído sobre o fundamento do amor e do ódio. Justifica, em parte, as quatro indicações ao Oscar: direção de arte (Sarah Greenwood e Katie Spencer), figurino (Jacqueline Durran), trilha sonora (Dario Marianelli) e atriz (para uma razoável performance de Knightley, de Piratas do Caribe, Rei Artur e Domino).
A trama, em si, talvez seja realmente o maior atrativo do longa-metragem, devido à sua tangível erudição e identidade popular, mesmo para um drama épico situado na conservadora Inglaterra do século 18, onde a distinção entre classes sociais é extrema e casar bem uma filha é o que importa. É nesta situação que, na família camponesa Bennet, nascem cinco meninas, das quais nenhuma poderá herdar os poucos bens do patriarca, Sr. Bennet (papel de Donald Sutherland).
Com a chegada do rico solteirão Sr. Bingley (Simon Woods) e de seu amigo Sr. Darcy nas redondezas, a prole dos Bennet se embeleza para a primeira festa com os promissores senhores. A cabeça-dura Elizabeth não demora muito para prometer odiar Sr. Darcy para o resto da vida. Depois, o casal vive um pingue-pongue de equívocos que apimenta o enredo. Faltou o sal.