Amegaprodução para a minissérie Mad Maria, de Benedito Ruy Barbosa, baseada na obra homônima de Marcio Souza, com estréia em janeiro, já começou a ganhar forma. Desde o início do mês, equipe e elenco, dirigidos por Ricardo Waddington, estão embrenhados no mato na cidade de Abunã, Rondônia, para reviver o processo de construção da estrada de ferro Madeira Mamoré, em 1910. Esta semana, a equipe foi gravar em Porto Velho e na seqüência irá para Santo Antônio.
Em Abunã, foram feitas cenas em que Fábio Assunção, como o médico Richard Finnegan, trabalha e distribui medicamento para os operários, ao lado dos enfermeiros Ted (André Frateschi) e Jim (Marcelo Serrado). Além deles, Ana Paula Arósio, que vive a pianista Consuelo, gravou cena em que é levada para o acampamento por operários chineses, que a acharam desmaiada e machucada no meio da selva amazônica. Eles a encontraram depois que a pianista sobreviveu a um naufrágio quando tentava transportar um piano pelo Rio Madeira.
Juca de Oliveira, que faz Stephan Collier, o engenheiro inglês responsável pela obra, apartou uma briga numa cena em que trabalhadores alemães – interpretados por Marcos Suchara (Gunter), Camilo Bevilacqua (Hans) e Milton Andrade (Gustav) – se desentendem feio com operários vindo de Barbados, vividos por Bukassa Kabengele (Jonathan), Eddie Jansen (Joseph) e Creo Kellab (Dick). A briga, a primeira de tantas que vão acontecer, será exibida logo no quarto capítulo.
Muito trabalho envolveu as gravações, a começar com a reconstrução de seis quilômetros de trilhos que estavam soterrados por barro e mato; a reforma da Mad Maria – nome da Locomotiva 20, a primeira máquina que andou na ferrovia depois da sua finalização, em 1912 – e o reparo de dois de seus vagões.
Mais de 450 pessoas trabalharam em Abunã. O local ficava a quatro quilômetros da base de produção e somente nos dois primeiros quilômetros era possível chegar de carro. Daí em diante, só a pé ou na litorina, pequeno vagão usado para transportar equipamento, alimentação, figurino e elenco.
Figurantes Foram contratadas 150 pessoas na região para fazer parte da figuração. As características físicas dos selecionados chamavam atenção por serem muito semelhantes à dos operários que chegaram ao Brasil vindos dos Estados Unidos, da Alemanha, da Inglaterra, de Barbados, da China, da França e de outros países para construir a ferrovia, no início do século 20.
Entre os figurantes, podiam ser encontrados descendentes de ex-funcionários da estrada de ferro Madeira Mamoré, que, emocionados ao verem a locomotiva funcionando novamente, contavam nos bastidores histórias ouvidas em família sobre a ferrovia que ligava Guajará-Mirim a Santo