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Nos bastidores da Justiça

Arquivo Geral

01/07/2004 0h00

Os filmes hollywoodianos estão repletos de cenas nos tribunais dos Estados Unidos. Por essa influência, muitas pessoas pensam que o sistema judiciário brasileiro é igual. Mas, não é. A realidade do que ocorre nos tribunais e no sistema carcerário é o tema do documentário justiça (com letra minúscula), da cineasta brasiliense Maria Augusta Ramos. Com estréia prevista para agosto nas salas de Brasília (a estréia no Rio e em São Paulo foi na semana passada), o filme poderá ser visto hoje, em uma sessão especial no Auditório Externo do Superior Tribunal de Justiça.

O trabalho de pesquisa para a execução do projeto durou dois meses. Durante esse tempo, Maria Augusta visitou o Fórum do Rio de Janeiro, acompanhou o dia-a-dia do local e conheceu vários de seus futuros “personagens”. “A sugestão de filmar o sistema judiciário veio de uma amiga. Gostei porque com ele conseguiria executar minha proposta: mostrar a tensão urbana da sociedade brasileira sem cair nos esteriótipos”, explica Maria Augusta. Para ela “o judiciário é um espelho da sociedade, um microcosmos onde convivem diferentes classes.”

A proposta da diretora é ainda retratar contrastes que chegam a passar desapercebidos do nosso cotidiano, como uma cena de diálogo entre um réu e um juiz. “É o rico e o pobre. O culto e o ignorante. Eles não falam a mesma língua. Um está no centro e o outro na margem da sociedade”, conta.

A fórmula escolhida por Maria Augusta para filmar foi usar a câmera como um elemento quase invisível. O resultado é que ela passa para o publico exatamente tudo aquilo que descobriu (e que a surpreendeu) ao se aproximar do mundo da Justiça. O desenho da sala, os corredores do fórum, a disposição das pessoas, o discurso, os códigos, as posturas – todos os detalhes visuais e sonoros ganham relevância. O espaço, as pessoas e sua organização são registrados de maneira sóbria. A câmera está sempre posicionada em relação à cena, mas não se move dramaticamente, não busca a falsa comoção.

Segundo a diretora, um crítico holandês escreveu que o documentário serve para provar que todos são prisioneiros: os réus, os advogados, os magistrados, as famílias, os agentes penitenciários. “Adorei essa lógica. Era justamente isso que eu queria. Causar uma profunda reflexão no público, que extrapole os limites da justiça e seja aplicada em todos os segmentos da sociedade”, analisa Maria Augusta.

Filmar a carceragem da Polinter e a intimidade das famílias dos presos fora do Fórum foram momentos marcantes da produção. “A Polinter é horrível. Um local onde 80, 90 presos se amontoam em uma cela, onde seres humanos são tratados como animais”, lembra.

Durante o tempo que visitou o Fórum, Maria Augusta aproveitou para estreitar relações de confiança com os “atores”. “Foram os dilemas e desejos deles que me inspiraram. Quando fiz a proposta para participarem eles toparam na hora”, conta a diretora.

Formada em Música pela Universidade de Brasília, Maria Augusta descobriu o cinema na Holanda, onde morou por alguns anos. Há três anos fez filme o filme Dese, que ganhou o Prêmio de Público do festival de Amsterdã e outros na Holanda. Hoje, ela mata as saudades de Brasília e recebe os amigos e o público em geral para a sess

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    O trabalho de pesquisa para a execução do projeto durou dois meses. Durante esse tempo, Maria Augusta visitou o Fórum do Rio de Janeiro, acompanhou o dia-a-dia do local e conheceu vários de seus futuros “personagens”. “A sugestão de filmar o sistema judiciário veio de uma amiga. Gostei porque com ele conseguiria executar minha proposta: mostrar a tensão urbana da sociedade brasileira sem cair nos esteriótipos”, explica Maria Augusta. Para ela “o judiciário é um espelho da sociedade, um microcosmos onde convivem diferentes classes.”

    A proposta da diretora é ainda retratar contrastes que chegam a passar desapercebidos do nosso cotidiano, como uma cena de diálogo entre um réu e um juiz. “É o rico e o pobre. O culto e o ignorante. Eles não falam a mesma língua. Um está no centro e o outro na margem da sociedade”, conta.

    A fórmula escolhida por Maria Augusta para filmar foi usar a câmera como um elemento quase invisível. O resultado é que ela passa para o publico exatamente tudo aquilo que descobriu (e que a surpreendeu) ao se aproximar do mundo da Justiça. O desenho da sala, os corredores do fórum, a disposição das pessoas, o discurso, os códigos, as posturas – todos os detalhes visuais e sonoros ganham relevância. O espaço, as pessoas e sua organização são registrados de maneira sóbria. A câmera está sempre posicionada em relação à cena, mas não se move dramaticamente, não busca a falsa comoção.

    Segundo a diretora, um crítico holandês escreveu que o documentário serve para provar que todos são prisioneiros: os réus, os advogados, os magistrados, as famílias, os agentes penitenciários. “Adorei essa lógica. Era justamente isso que eu queria. Causar uma profunda reflexão no público, que extrapole os limites da justiça e seja aplicada em todos os segmentos da sociedade”, analisa Maria Augusta.

    Filmar a carceragem da Polinter e a intimidade das famílias dos presos fora do Fórum foram momentos marcantes da produção. “A Polinter é horrível. Um local onde 80, 90 presos se amontoam em uma cela, onde seres humanos são tratados como animais”, lembra.

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    Formada em Música pela Universidade de Brasília, Maria Augusta descobriu o cinema na Holanda, onde morou por alguns anos. Há três anos fez filme o filme Dese, que ganhou o Prêmio de Público do festival de Amsterdã e outros na Holanda. Hoje, ela mata as saudades de Brasília e recebe os amigos e o público em geral para a sess

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