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No playground do coração

Arquivo Geral

26/10/2004 0h00

A escritora Lya Luft não gosta de teorizar sobre suas obras. Prefere dialogar com o que lhe inquieta e, desse encontro íntimo, revelar silêncios e iluminuras aos amigos imaginários: os leitores que, para ela, não têm rosto, mas coração e alma. Quem for hoje ao projeto Sempre um Papo, com a autora do best-seller Perdas e Danos, no Conjunto Cultural da Caixa, às 19h30, deve esperar algo como uma conversa ao pé do ouvido, cheia de delicadezas e descobertas.

A gaúcha Lya Luft veio conversar com o leitor brasiliense sobre suas duas obras mais recentes, Histórias de Bruxa Boa e Pensar é Transgredir. A primeira é uma novidade em sua carreira – afinal, a escritora nunca havia produzido um livro infantil.

“Nunca pensei em escrever algo do tipo. Mas, um dia resolvi guardar no computador, para não esquecer, algumas história que contava para minha neta, Isabela. Acabei me entusiasmando e a minha editora (Record) topou publicar o livro”, conta Luft, em entrevista ao Jornal de Brasília.

A bruxa boa é a própria escritora, num trabalho que a autora não considera exatemente um livro infantil. “Para mim, é como se fosse um livro mágico. Os adultos estão adorando ler também porque, ali, eles veêm como é o cotidiano de minha casa. Tudo bem que não vivo montando em vassouras, isso eu só faço de vez em quando, mas é uma história de família, por isso os adultos estão se divertindo também”, explica.

Sem liçõesEm Histórias de Bruxa Boa não existem lições de moral, como é comum em livros infantis. Mas querer imprimir moral a uma história também não é muito comum em Lya Luft. “Escrevi esse livro com o mesmo prazer e vigor com que escrevi meus romances”, detalha. “Não acho que a arte tem de deixar mensagens. Parafraseando um outro escritor, quem deixa mensagem é fax. Acredito que aquele livro é, no fundo, como um pequeno Perdas e Danos, onde mostro um pouco minha filosofia de vida”.

A filosofia de vida de Lya Luft parece estar mais para corrente marinha do que para correnteza de rio. Dentro dela, em ebulição, vive aquilo que ela destila, de gota em gota, em suas obras. “As pistas de meu interior estão em meus livros. Neles estão minha inquietação sobre o ser humano, meus encantamentos e meus sustos”, conta.

Essa visão fabricada internamente não é egoísta, garante a escritora: “Aquilo que nós somos obviamente tem um reflexo no mundo. Somos responsáveis, com nossas ações e modo de viver, pelo que é construído lá fora”. A importância da vida, medos, afetos, os relacionamentos humanos e familiares, viver permanentemente se reiventando, como ela mesmo sugere numa crônica, são o cimento e as bases de reflexão de Pensar é Transgredir.

Neste livro, Luft paira sobre o fazer metafísico. Ela não gosta de teorizar. Levita acima de academicismo ou “cabecismos” dos quais ela se familiarizou tanto quando traduziu as obras de intelectuais formais como os escritores alemães Günter Grass e Thomas Mann ou das introspectivas Virginia Woolf e Doris Lessing. Lya não esquematiza suas obras. Simplesmente se entrega ao sabor do pensamento. “A parte intelectual é o meu ponto mais fraco. O que tenho de mais forte em mim é a intuição”, revela.

ProvaIntuitiva e emotiva, Lya Luft tenta ser fiel ao coração e ao seu modo de vida. A escritora passou nos últimos anos por uma prova de fogo, quando Perdas e Danos vendeu mais de 160 mil exemplares. “Emocionalmente o sucesso do livro, no princípio, atrapalhou minha vida cotidiana. O número de convites para eventos era inimaginável. Só melhorou quando aprendi a dizer não”, relata a escritora. Mas ela não cedeu à tentação da fama para escrever um “Perdas e Danos 2”. Tanto que seu próximo projeto é escrever um livro de poesia, Para não Dizer Adeus, que será lançado em 2005.

Serena, Lya Luft segue para onde aponta sua alma, negando comportamentos que a aflige. A escritora critica a violência que assola o planeta. Não acredita em revoluções mundiais, mas sim nas pequenas revoluções, nas feitas dentro de nós, que ela chama de “microrrevoluções”, para que todos possam viver melhor.

Quando perguntada sobre aquilo que mais a inquieta hoje, ela é enfática: “O desperdício da vida. Tem muita gente que desperdiça sua vida fazendo maldade com os outros, perdendo-se demais em frivolidades, em vez de se concentrar naquilo que nos faz bem, na contemplação do belo, na fruição do afeto”, arremata.

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    No playground do coração

    Arquivo Geral

    26/10/2004 0h00

    A escritora Lya Luft não gosta de teorizar sobre suas obras. Prefere dialogar com o que lhe inquieta e, desse encontro íntimo, revelar silêncios e iluminuras aos amigos imaginários: os leitores que, para ela, não têm rosto, mas coração e alma. Quem for hoje ao projeto Sempre um Papo, com a autora do best-seller Perdas e Danos, no Conjunto Cultural da Caixa, às 19h30, deve esperar algo como uma conversa ao pé do ouvido, cheia de delicadezas e descobertas.

    A gaúcha Lya Luft veio conversar com o leitor brasiliense sobre suas duas obras mais recentes, Histórias de Bruxa Boa e Pensar é Transgredir. A primeira é uma novidade em sua carreira – afinal, a escritora nunca havia produzido um livro infantil.

    “Nunca pensei em escrever algo do tipo. Mas, um dia resolvi guardar no computador, para não esquecer, algumas história que contava para minha neta, Isabela. Acabei me entusiasmando e a minha editora (Record) topou publicar o livro”, conta Luft, em entrevista ao Jornal de Brasília.

    A bruxa boa é a própria escritora, num trabalho que a autora não considera exatemente um livro infantil. “Para mim, é como se fosse um livro mágico. Os adultos estão adorando ler também porque, ali, eles veêm como é o cotidiano de minha casa. Tudo bem que não vivo montando em vassouras, isso eu só faço de vez em quando, mas é uma história de família, por isso os adultos estão se divertindo também”, explica.

    Sem liçõesEm Histórias de Bruxa Boa não existem lições de moral, como é comum em livros infantis. Mas querer imprimir moral a uma história também não é muito comum em Lya Luft. “Escrevi esse livro com o mesmo prazer e vigor com que escrevi meus romances”, detalha. “Não acho que a arte tem de deixar mensagens. Parafraseando um outro escritor, quem deixa mensagem é fax. Acredito que aquele livro é, no fundo, como um pequeno Perdas e Danos, onde mostro um pouco minha filosofia de vida”.

    A filosofia de vida de Lya Luft parece estar mais para corrente marinha do que para correnteza de rio. Dentro dela, em ebulição, vive aquilo que ela destila, de gota em gota, em suas obras. “As pistas de meu interior estão em meus livros. Neles estão minha inquietação sobre o ser humano, meus encantamentos e meus sustos”, conta.

    Essa visão fabricada internamente não é egoísta, garante a escritora: “Aquilo que nós somos obviamente tem um reflexo no mundo. Somos responsáveis, com nossas ações e modo de viver, pelo que é construído lá fora”. A importância da vida, medos, afetos, os relacionamentos humanos e familiares, viver permanentemente se reiventando, como ela mesmo sugere numa crônica, são o cimento e as bases de reflexão de Pensar é Transgredir.

    Neste livro, Luft paira sobre o fazer metafísico. Ela não gosta de teorizar. Levita acima de academicismo ou “cabecismos” dos quais ela se familiarizou tanto quando traduziu as obras de intelectuais formais como os escritores alemães Günter Grass e Thomas Mann ou das introspectivas Virginia Woolf e Doris Lessing. Lya não esquematiza suas obras. Simplesmente se entrega ao sabor do pensamento. “A parte intelectual é o meu ponto mais fraco. O que tenho de mais forte em mim é a intuição”, revela.

    ProvaIntuitiva e emotiva, Lya Luft tenta ser fiel ao coração e ao seu modo de vida. A escritora passou nos últimos anos por uma prova de fogo, quando Perdas e Danos vendeu mais de 160 mil exemplares. “Emocionalmente o sucesso do livro, no princípio, atrapalhou minha vida cotidiana. O número de convites para eventos era inimaginável. Só melhorou quando aprendi a dizer não”, relata a escritora. Mas ela não cedeu à tentação da fama para escrever um “Perdas e Danos 2”. Tanto que seu próximo projeto é escrever um livro de poesia, Para não Dizer Adeus, que será lançado em 2005.

    Serena, Lya Luft segue para onde aponta sua alma, negando comportamentos que a aflige. A escritora critica a violência que assola o planeta. Não acredita em revoluções mundiais, mas sim nas pequenas revoluções, nas feitas dentro de nós, que ela chama de “microrrevoluções”, para que todos possam viver melhor.

    Quando perguntada sobre aquilo que mais a inquieta hoje, ela é enfática: “O desperdício da vida. Tem muita gente que desperdiça sua vida fazendo maldade com os outros, perdendo-se demais em frivolidades, em vez de se concentrar naquilo que nos faz bem, na contemplação do belo, na fruição do afeto”, arremata.

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