Um tapete de grama sintética, um balanço, bichos de origami coloridos e um telão onde são projetadas animações. Não, isso não é um parque infantil, mas sim o cenário – produzido por Hélio Eichbauer – do show da cantora Adriana Calcanhoto, Adriana Partimpim. A cantora apresenta hoje e amanhã, às 18h, na Academia Music Hall, o show da turnê do mais recente CD, com um repertório de música popular brasileira para crianças. E também para adultos.
O espetáculo não é um simples show de música. O público entra em contato com a poesia e conhece a diversidade de ritmos, desde blues, samba, funk e house. Quando começou a pensar nesse projeto, Adriana quis fazer algo diferente, com mais leveza e liberdade no modo de executar as músicas. “Quando os músicos que convidei ficavam sabendo que era um disco para crianças tocavam com muito mais espontaneidade, com o coração aberto”, disse a cantora, em entrevista ao Jornal de Brasília.
“Achei que as crianças andavam ouvindo basicamente o mesmo tipo de produção musical há muitos anos e tive vontade de apresentar uma alternativa”, explica. O espetáculo tem sido sucesso de público em todas as cidades em que já passou. O repertório inclui as dez canções do CD Adriana Partimpim, lançado em 2004, e outras com espírito infantil e arranjo cheio de sutilezas e humor, que não foram necessariamente compostas para o público infantil. Vão desde a marchinha da década de 30 Lig-lig-lig-lé (Osvaldo Santiago e Paulo Barbosa) – para sacudir os mais velhos – ao hit moderno Fico Assim Sem Você, de Claudinho e Buchecha.
Acalanto Fazem parte do show dois clássicos da música brasileira: O Poeta Aprendiz, autobiografia poética de Vinícius de Moraes musicada por Toquinho e a emocionante Acalanto, de Dorival Caymmi para sua filha Nana.
Adriana devolve para os adultos a brincadeira, o sorriso e a ingenuidade da infância e proporciona aos pequenos um momento família – aproveitando o clima do Dia dos Pais, comemorado amanhã. “Para mim e para a banda o show é muito divertido. A gente quer que a platéia seja contaminada pela nossa alegria de estar no palco tocando esse repertório”, espera a cantora.
Os instrumentos são transformados em brinquedos. Além de percussão (Guilherme Kastrup), baixo (Dé Palmeira), guitarra (Ricardo Palmeira) e teclados (Marcos Cunha), o som é feito com caixinhas de música, pianinhos, jogos eletrônicos, reco-reco, celular de camelô, lixas e um sapo, que produz ruídos e se ilumina no escuro. “É um show recheados de surpresas”, promete Adriana. “Brasilia tem uma platéia muito calorosa e como levei todos os espetáculos que montei para a cidade, tenho uma sensação de enorme cumplicidade com o público brasiliense”, define Adriana.
O show tem ainda um clima poético. E felino. Adriana musicou quatro poemas do livro Um Gato Chamado Gatinho, de Ferreira Gullar: Dono do Pedaço, Ron ron do Gatinho, Gato Pensa? e O Gato e a Pulga. As estrofes ganharam versões de rock, blues e techno, sendo essa última trilha sonora de uma festa rave de pulgas. Ainda no clima animal tem o poema O Mocho e a Gatinha, do inglês Edward Lear (1812-1888), e Canção da Falsa Tartaruga, de Lewis Carroll.
Com 15 anos de carreira, sete discos e um DVD, Adriana conta que fazer o CD Partimpim foi a realização de um sonho. O show vai virar um DVD, que será lançado em novembro. “Estou muito feliz com o resultado do show. Devo continuar a turnê e depois começo a compor para um novo CD, mas ainda não sei quando”, adianta.