As disparidades sociais e econômicas e o preconceito racial no Brasil são obstáculos para que a população negra tenha acesso aos serviços de saúde. É o que mostra estudo financiado pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em parceria com o Banco Mundial, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (Seppir) e o Ministério Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID).
Com o título de Saúde da População Negra no Brasil: Contribuição para a Promoção da Eqüidade, o documento será divulgado até o final do ano e pretende apontar caminhos para que se combata o preconceito e se democratize o acesso dos negros à saúde. O estudo começou a ser desenvolvido no início de 2004.
Seis pesquisadores participam do trabalho, sob a coordenação da bióloga Fernanda Lopes, mestre e doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo (USP). O livro apresenta diversas sínteses e novas análises baseadas nos mais importantes estudos feitos nos últimos anos sobre a questão racial e a saúde dos negros no Brasil e em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Fundação Perseu Abramo.
O governo pretende editar dois mil exemplares do livro e preparar um folheto baseado nesse material para distribuir em unidades de saúde de todo o Brasil.
Uma das constatações da pesquisa é que o preconceito racial é um grande inimigo da saúde da população negra, particularmente das mulheres e das gestantes. “Muitas pacientes, vítimas de algum tipo de preconceito por parte de profissionais, se intimidam e terminam não retornando à unidade de saúde”, diz o diretor do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (Depin) da Funasa, Déo Costa Ramos.
gravidez”Se a gestante não retorna para fazer um acompanhamento pré-natal, fica mais exposta a problemas de saúde. A mãe e o bebê podem até morrer por causa disso”, alerta Déo Costa.
O diretor do Depin ressalta que os problemas sociais enfrentados pela população negra contribuem sensivelmente para que ela não tenha uma boa saúde. A pesquisa do ministério, Funasa e parceiros aponta o baixo nível salarial e o alto grau de pobreza dos negros como fatores que os deixam mais expostos às doenças.
“Se a pessoa é muito pobre ou tem um salário muito baixo, não se alimenta direito e acaba sofrendo de desnutrição. Com isso, os anticorpos reagem mal e o organismo fica vulnerável”, afirma Déo. (Agência Saúde)