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Namoro de Jenifer e Eleonora sem beijo gera frustração

Arquivo Geral

29/11/2004 0h00

As cenas envolvendo duas lésbicas veiculadas quinta-feira passada pela novela Senhora do Destino (Globo) deixou militantes gays felizes com o avanço na abordagem do tema e frustrados com o fato de as imagens não terem exibido nem um beijo e de a TV evitar mostrar casais homossexuais masculinos.

No capítulo de ontem, a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges) foram mostradas seminuas na cama, numa insinuação de que tiveram a primeira relação sexual.

Antes, haviam dito que sentem muita falta uma da outra e que vão descobrir juntas o que estão sentindo. Com partes do corpo cobertas por lençol, Eleonora disse a Jenifer que ela “é ainda mais bonita quando acorda”. “Você está arrependida de ter passado a noite aqui?” A estudante respondeu estar ´assustada”.

A novela é de autoria de Aguinaldo Silva, homossexual assumido e um dos fundadores, na década de 70, de O Lampião, primeiro tablóide militante gay do país. A trama mostrou a aproximação das duas, que já dera beijo selinho para se cumprimentar, e o sofrimento com o distanciamento imposto por Jenifer, que não assumira a opção sexual.

No capítulo em questão, ela admitiu seus sentimentos pela amiga, incentivada pelo próprio pai, o ex-bicheiro Giovani (José Wilker). “Houve muita sensibilidade, principalmente no fato de o pai de uma e a mãe da outra terem incentivado o encontro. Isso mostra a quem está em fase de descoberta da homossexualidade que nem sempre a reação da família é um bicho de sete cabeças”, diz Vange Leonel, cantora, compositora, escritora e militante homossexual.

Ela se reuniu com um grupo de dez amigos e amigas para acompanhar a novela. “Nossa reação foi ambígua. Ficamos muito contentes com o avanço na abordagem do tema, mas ainda frustrados pelo fato de ter de ser tão sutil, de não poder haver beijo para que não haja rejeição. Mas é natural, já que a novela é um programa que reúne a família”.

Laura Finocchiaro, cantora, compositora e militante homossexual, comemora o fato de a Globo, em horário nobre, ter aberto espaço à questão. “Isso tem mais impacto do que qualquer parada gay”, diz. “É claro que há o machismo de exibir ´lesbian chic´, que duas mulheres juntas sustentam uma fantasia masculina. Mas foi uma iniciativa bacana”.

Aguinaldo Silva afirma que não sabe se a cena foi um avanço. Mas diz que o próximo passo na abordagem do homossexualismo pela teledramaturgia será também em Senhora do Destino, no final de dezembro, quando Eleonora decidirá adotar uma criança que encontra abandonada na lixeira do estacionamento do hospital.

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    No capítulo de ontem, a médica Eleonora (Mylla Christie) e a estudante Jenifer (Bárbara Borges) foram mostradas seminuas na cama, numa insinuação de que tiveram a primeira relação sexual.

    Antes, haviam dito que sentem muita falta uma da outra e que vão descobrir juntas o que estão sentindo. Com partes do corpo cobertas por lençol, Eleonora disse a Jenifer que ela “é ainda mais bonita quando acorda”. “Você está arrependida de ter passado a noite aqui?” A estudante respondeu estar ´assustada”.

    A novela é de autoria de Aguinaldo Silva, homossexual assumido e um dos fundadores, na década de 70, de O Lampião, primeiro tablóide militante gay do país. A trama mostrou a aproximação das duas, que já dera beijo selinho para se cumprimentar, e o sofrimento com o distanciamento imposto por Jenifer, que não assumira a opção sexual.

    No capítulo em questão, ela admitiu seus sentimentos pela amiga, incentivada pelo próprio pai, o ex-bicheiro Giovani (José Wilker). “Houve muita sensibilidade, principalmente no fato de o pai de uma e a mãe da outra terem incentivado o encontro. Isso mostra a quem está em fase de descoberta da homossexualidade que nem sempre a reação da família é um bicho de sete cabeças”, diz Vange Leonel, cantora, compositora, escritora e militante homossexual.

    Ela se reuniu com um grupo de dez amigos e amigas para acompanhar a novela. “Nossa reação foi ambígua. Ficamos muito contentes com o avanço na abordagem do tema, mas ainda frustrados pelo fato de ter de ser tão sutil, de não poder haver beijo para que não haja rejeição. Mas é natural, já que a novela é um programa que reúne a família”.

    Laura Finocchiaro, cantora, compositora e militante homossexual, comemora o fato de a Globo, em horário nobre, ter aberto espaço à questão. “Isso tem mais impacto do que qualquer parada gay”, diz. “É claro que há o machismo de exibir ´lesbian chic´, que duas mulheres juntas sustentam uma fantasia masculina. Mas foi uma iniciativa bacana”.

    Aguinaldo Silva afirma que não sabe se a cena foi um avanço. Mas diz que o próximo passo na abordagem do homossexualismo pela teledramaturgia será também em Senhora do Destino, no final de dezembro, quando Eleonora decidirá adotar uma criança que encontra abandonada na lixeira do estacionamento do hospital.

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