Se você gosta do moderno cinema francês e assistiu a O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, esqueça-o se quiser se aventurar em Bem-Me-Quer-Mal-Me-Quer. A bela de olhos negros Audrey Tautou, protagonista dos dois longas, consegue superar seu estigma de boazinha cuca-feita e mergulha em uma personagem densa, melancólica e ambígua. Mas ambígua também é a história, dirigida pela estreante Laetitia Colombani. Ela desenha Angélique (Audrey) como uma jovem artista cheia de vida, criatividade e que se apaixona pela pessoa errada, o conceituado cardiologista Loïc (Samuel Le Bihan). A trama parece ter um fim certo, até o meio do filme, quando tanto os personagens quanto o público se perguntam “onde tudo isso vai parar?”. Nesse momento, o ímpeto do espectador é levantar da cadeira e ir embora. Quem permanecer verá uma inovação na narrativa cinematográfica, um filme para refletir.