Se dependesse do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro, o dia teria mais do que 24 horas. Não bastassem as viagens pelo Brasil afora para divulgar o quinto CD, Baladas do Asfalto & Outros Blues, ele lança dois novos discos até o fim do mês, planeja escrever um livro de culinária e fazer uma coletânea de músicas infantis. Enquanto dribla o tempo, Zeca desembarca em Brasília, pela terceira vez em 2005, para apresentação hoje, às 21h30, na Academia Music Hall.
Lançado há três meses, Baladas no Asfalto & Outros Blues conta com 13 faixas inéditas, marcadas por arranjos simples, com poucas batidas de música eletrônica, e uma sonoridade ao estilo de rock. “Meus amigos me propuseram gravar um disco de balada, mais radiofônico”, conta o cantor ao Jornal de Brasília. Segundo ele, a principal diferença entre esse álbum e os trabalhos anteriores é a participação de uma banda, formada por músicos experientes como Billy Brandão e Dunga. “É o meu primeiro disco de banda. O espírito na hora de gravar era de tocar junto, levar calor para o disco”, afirma.
Apesar de terem sido compostas em épocas diferentes (algumas há mais de uma década), as canções do Baladas no Asfalto & Outros Blues evidenciam um lado introspectivo, melancólico até, do cantor. “Eu alterno momentos. Às vezes, tenho mais humor. Mas não quer dizer que, quando fiz as músicas, estava triste”, ressalta.
A face mais reflexiva de Zeca Baleiro está presente também nos dois álbuns produzidos pelo selo do cantor, Saravá Discos, que serão lançados até o fim de novembro. Um deles, Ode Descontínua e Remota para fFlauta e Oboé – de Ariana para Dionísio, são poemas de Hilda Hist, musicados na voz de dez cantoras, como Zélia Duncan, Maria Bethânia e Rita Ribeiro. “A Hilda disse que queria compor comigo, mandou a obra poética dela e ouviu as canções. Até que faleceu no ano passado”, conta. O nome do disco é o mesmo de um dos capítulos do livro Júbilo Memória Noviciado da Paixão, escrito em 1974.
O outro álbum é um póstumo do compositor capixaba Sérgio Sampaio, falecido em 1994, que influenciou a infância e adolescência de Zeca. “Eu me tornei amigo da família e resolvi fazer uma homenagem”, explica.
Sem data para ficar pronto, mais um disco, desta vez com músicas infantis, está nos planos do versátil maranhense. Segundo ele, há 60 canções do gênero no baú. “O projeto é antigo, mas, depois que tive filhos, a vontade aumentou. Não há como não ter idéias com eles”, diz, referindo-se a Manuel, 5 anos, e Vitória, 7. Além de acompanhar o trabalho musical do pai, as crianças presenciam suas peripécias na cozinha. Mestre cuca quando sobra tempo, Zeca Baleiro costuma criar receitas, como o Vera Fish, peixe ao molho de mel, manjericão e cassis. O cantor leva tão a sério que pretende escrever um livro de culinária. “Sou razoável cozinheiro. Os chefs de verdade podem até achar uma heresia, mas o Vera Fish é muito bom”, garante.
Serviço
Baladas no Asfalto & Outros Blues – Show de Zeca Baleiro, hoje, às 21h30, na Academia Music Hall. Ingressos a R$ 30 (pista), R$ 50 (poltrona) e R$ 40 (camarote), à venda nas Discotecas 2001. Mais informações: 3201-3333.