O nascimento, há cinco anos, da filha Joana, portadora de síndrome de Down, motivou o cineasta fluminense Evaldo Mocarzel a realizar o longa-metragem Do Luto à Luta, programado para sábado, às 15h, no CCBB. “Fazer um filme sobre a deficiência da minha filha foi mais fácil porque o tema foi que me escolheu”, admitiu o diretor ao Jornal de Brasília.
Premiado no recente Festival de Gramado e em Recife, o filme mostra portadores de Down, que dançam, nadam, surfam e namoram.
Segundo ele, o objetivo é informar sobre as potencialidades de quem tem a doença: “Eu achava que eles não evoluíssem a ponto de se questionar sobre o amor, morte, vida, Deus. Eles também se questionam. Conheço downs mais inteligentes do que muita gente por aí”.
Surdodum Os fones de ouvido, o estalar de dedos para acompanhar a música e o movimento animado escondem a surdez profunda descoberta aos sete anos de idade. Andréia Ferreira, hoje com 30 anos, é uma das 12 integrantes do grupo de percussão para deficientes auditivos Surdodum, criado em 1994, em Brasília, pela fonoaudióloga Ana Lúcia Soares.
Ana Lúcia visitou escolas de ensino especial da capital para convidar alunos a integrarem o grupo. No CEAL (Centro Educacional da Audição Linguagem Ludovico Pavoni), conheceu Andréia. O resultado do encontro foi a descoberta, por Andréia, do próprio potencial.
A moça, de uma beleza marcante, aprendeu a distinguir ritmos musicais observando e tocando o pescoço de Ana Lúcia, para sentir a vibração das canções. “Quando ponho uma música para tocar, se as batidas forem fortes, consigo distinguir se é pagode, MPB, samba”, explica.
Para aperfeiçoar as técnicas musicais, a fonoaudióloga criou um método próprio: “Faço analogias com as batidas do coração e do relógio e os alunos usam o corpo para entender”.
O empenho resultou no CD demo Na Batida do Silêncio, em 1994, e em apresentações em São Paulo, Goiânia e Portugal. O novo trabalho, Na Batida do Coração deve ser lançado em 2006.
Participar do Surdodum foi fundamental para Andréia, que toca surdão e canta: “O Surdodum abriu as portas para mim. Aprendi a escutar com o coração e com os olhos”, conta ela, que faz leitura labial, fala normalmente e tem celular para conversar com os amigos por meio de mensagens.