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Música da discórdia

Arquivo Geral

25/12/2003 0h00

O estouro de Tô Nem Aí foi a deixa para o lado compositor de Latino ficar exposto. Mas essa não é a única música do cantor nas paradas. Latino garante que tem outras músicas na praça, mas que não são assinadas por ele. O motivo? Livrar-se de complicações na Justiça, já que tem que pagar pensão a ex-mulheres: “Isso é normal, vários artistas fazem, mas têm medo de falar. Eu coloco músicas no nome de familiares e amigos. Minha mãe é compositora, minha sobrinha e minha prima são compositoras…”

Segundo o advogado Nehemias Gueiros, especialista em direitos autorais, a cessão de direitos patrimoniais (o dinheiro arrecadado com a execução da música) é legal. Mas a cessão dos direitos morais (a assinatura) é ilegal. “No caso de o artista não ter músicas em seu nome, é mais difícil provar o quanto ele ganha”, explica o advogado.

Latino diz que não se importa em atribuir suas músicas a outras pessoas. “Eu não preciso do mérito de compositor, porque já tenho meu nome como cantor”.

O truque usado por Latino, que não assina algumas músicas que compõe, facilita sua vida nos tribunais. No caso de processos para o pagamento de pensão a suas filhas — além da filha com Kelly Key, ele tem mais duas meninas de outros relacionamentos —, é difícil presumir os ganhos do cantor. Uma música que chega ao topo das paradas de sucesso, como Tô Nem Aí, pode render uma boa quantia mensalmente.

A música de Luka, por exemplo, teve 13.797 execuções em sete meses (maio a novembro), segundo a gravadora Greensongs. A cada uma delas, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) arrecada de R$ 20 a R$ 30. Isso renderia aos autores até R$ 60 mil por mês — no caso de Tô Nem Aí, que tem três autores, cada um arrecadaria entre R$ 15 mil e R$ 20 mil mensalmente.

A estratégia de Latino não surpreendeu a advogada de Kelly Key, Tânia Pereira. Segundo ela, o cantor não registra patrimônios em seu nome. “Diante do juiz, ele quer mostrar que não tem condições financeiras de pagar a pensão que estamos pedindo”, diz a advogada.

Kelly Key briga na Justiça por uma pensão de R$ 1.500 para a filha do casal, de 3 anos. Mas Latino só quer pagar um salário mínimo. Na última audiência, em maio, foi decidido que o cantor teria que desembolsar três salários mínimos por mês. Mas, segundo Tânia, até agora ele não pagou nada. “Na audiência, ele ainda reivindicou a guarda da menina. Mas ele nem visita a filha”, justifica a advogada, que pretende incluir no processo os números de Tô Nem Aí e do último CD de Latino, 10 Anos de Sucessos.

Segundo Latino, um amigo que assina músicas suas é Andinho. O funk Já é Sensação é uma dessas canções. “Andinho é meu amigo do peito e posso confiar nele”, diz Latino, que admite que já se deu mal algumas vezes. “Já levei volta, alguns não me repassaram o dinheiro.

Se algumas músicas Latino prefere não assinar, outras levam a grife do cantor. E muitas delas estão reunidas no CD Latino ao Vivo — 10 anos de sucessos. “Neste disco só tem sucessos, o que quer dizer que minha carreira foi bem-sucedida”, observa.

No CD estão Me leva, Vitrine, Não Adianta Chorar, Só Você e músicas mais recentes, como Mexe com Lalá. Além delas, estão canções de outros autores, como Diana e La Bamba, que Latino canta nos shows. “Encerro os shows com esses clássicos dos anos 60”, conta Latino, que gravou ainda Conquista, um hit na voz de Claudinho e Buchecha.

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    25/12/2003 0h00

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    Segundo o advogado Nehemias Gueiros, especialista em direitos autorais, a cessão de direitos patrimoniais (o dinheiro arrecadado com a execução da música) é legal. Mas a cessão dos direitos morais (a assinatura) é ilegal. “No caso de o artista não ter músicas em seu nome, é mais difícil provar o quanto ele ganha”, explica o advogado.

    Latino diz que não se importa em atribuir suas músicas a outras pessoas. “Eu não preciso do mérito de compositor, porque já tenho meu nome como cantor”.

    O truque usado por Latino, que não assina algumas músicas que compõe, facilita sua vida nos tribunais. No caso de processos para o pagamento de pensão a suas filhas — além da filha com Kelly Key, ele tem mais duas meninas de outros relacionamentos —, é difícil presumir os ganhos do cantor. Uma música que chega ao topo das paradas de sucesso, como Tô Nem Aí, pode render uma boa quantia mensalmente.

    A música de Luka, por exemplo, teve 13.797 execuções em sete meses (maio a novembro), segundo a gravadora Greensongs. A cada uma delas, o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) arrecada de R$ 20 a R$ 30. Isso renderia aos autores até R$ 60 mil por mês — no caso de Tô Nem Aí, que tem três autores, cada um arrecadaria entre R$ 15 mil e R$ 20 mil mensalmente.

    A estratégia de Latino não surpreendeu a advogada de Kelly Key, Tânia Pereira. Segundo ela, o cantor não registra patrimônios em seu nome. “Diante do juiz, ele quer mostrar que não tem condições financeiras de pagar a pensão que estamos pedindo”, diz a advogada.

    Kelly Key briga na Justiça por uma pensão de R$ 1.500 para a filha do casal, de 3 anos. Mas Latino só quer pagar um salário mínimo. Na última audiência, em maio, foi decidido que o cantor teria que desembolsar três salários mínimos por mês. Mas, segundo Tânia, até agora ele não pagou nada. “Na audiência, ele ainda reivindicou a guarda da menina. Mas ele nem visita a filha”, justifica a advogada, que pretende incluir no processo os números de Tô Nem Aí e do último CD de Latino, 10 Anos de Sucessos.

    Segundo Latino, um amigo que assina músicas suas é Andinho. O funk Já é Sensação é uma dessas canções. “Andinho é meu amigo do peito e posso confiar nele”, diz Latino, que admite que já se deu mal algumas vezes. “Já levei volta, alguns não me repassaram o dinheiro.

    Se algumas músicas Latino prefere não assinar, outras levam a grife do cantor. E muitas delas estão reunidas no CD Latino ao Vivo — 10 anos de sucessos. “Neste disco só tem sucessos, o que quer dizer que minha carreira foi bem-sucedida”, observa.

    No CD estão Me leva, Vitrine, Não Adianta Chorar, Só Você e músicas mais recentes, como Mexe com Lalá. Além delas, estão canções de outros autores, como Diana e La Bamba, que Latino canta nos shows. “Encerro os shows com esses clássicos dos anos 60”, conta Latino, que gravou ainda Conquista, um hit na voz de Claudinho e Buchecha.

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