Brasília recebe hoje uma grande dama da música internacional no palco da Academia Music Hall. É a cubana Omara Portuondo, 74 anos, única mulher do grupo Buena Vista Social Club. Ela apresenta o show da turnê Flor de Amor, nome do último CD, indicado ao Grammy 2005 na categoria Melhor Álbum Latino Tropical Tradicional.
Omara foi revelada ao mundo no documentário do cineasta alemão Wim Wenders, Buena Vista Social Club, de 1996. Mas, antes disso, já era um mito em Cuba. Desde então, encanta as platéias por onde passa com seu jeitão “faixa colorida na cabeça, batom vermelho e voz inconfundível”.
Omara canta a verdadeira música cubana com suas guajiras, charangas e boleros e já vendeu mais de um milhão de cópias de Flor de Amor, desde o lançamento, em junho de 2004. Uma das faixas, Casa Calor, foi composta especialmente para ela pelo músico brasileiro Carlinhos Brown. “A canção é muito bonita e revela todo o talento de Carlinhos não só como compositor, mas também como produtor”, disse a cantora, em entrevista ao Jornal de Brasília.
Batizada de “Edith Piaf de Cuba”, em referência à cantora francesa, Omara está fazendo uma grande turnê pelo Brasil e espera uma acolhida calorosa dos brasilienses. “Temos as mesmas raízes, o que nos aproxima muito do povo brasileiro. Tenho certeza que será um prazer recíproco”, acredita Omara.
Fã da cultura e dos músicos brasileiros, ela cita Ari Barroso como um dos grandes. Flor de Amor teve uma pitada brasileira não só pela canção de Brown, que ela canta em português, mas também por ter o brasileiro Alê Siqueira entre os produtores. Alê já trabalhou com Caetano Veloso, Elza Soares, Tom Zé, Paulinho da Viola, Bebel Gilberto, entre outros.
A banda de Omara também tem brasileiro. É Swamy Junior, que faz um solo com violão de sete cordas na faixa Mueve la Cintura Mulato, momento de destaque do espetáculo, que dura cerca de duas horas. Além dele, a banda tem outros 11 músicos que se revezam entre instrumentos tradicionais e outros de sonoridade exótica, como timbal, bongôs, congas e djembê.