Com personalidades fortes e vítimas dos mais diversos conflitos pessoais, as mulheres, como sempre, têm dado o tom à novela global América. Da sonhadora e obstinada Sol (Deborah Secco) à sexy e dissimulada Creusa (Juliana Paes), todos os dias há na televisão um desfile de tipos femininos tão diferentes que não é difícil encontrar alguém, na vida real, que seja parecido com uma personagem da trama de Glória Perez.
Na opinião de especialistas, as mulheres da novela da Globo têm características psicológicas comuns à maioria das mulheres de verdade, que variam conforme a idade, condição social, grau de instrução e um pouco de vaidade.
“As pessoas são misturas dos vários tipos mostrados na novela. As personagens são retratadas com riqueza de detalhes porque a maioria do público é feminino e é preciso criar essa identificação”, esclarece o psicólogo Antonio Carlos Alves de Araújo. Ele explica que, em cada fase da vida, a mulher tende a se parecer mais ou menos com um dos tipos de América.
“Dos 15 aos 25 anos, todas têm um quê da Lurdinha (Cléo Pires). É a fase em que estão descobrindo o poder de sedução. Entre 25 e 30 anos, as mulheres tendem a ser como a Sol (Deborah Secco), que pensa, em primeiro lugar, na questão material, na carreira. Depois dos 30 anos, o lado romântico aflora, pois a pessoa passa a sentir medo de envelhecer e de ficar sozinha”, teoriza o psicólogo.
Para ele, o ideal é que cada uma tente equilibrar suas porções Sol e Lurdinha, por exemplo, em qualquer fase da vida. “Hoje, a mulher na faixa dos 20 anos esqueceu o romantismo e só investe na carreira. Quando tenta recuperar o prejuízo, já é tarde. É preciso ser determinada, romântica, sexy e realista na dose certa”, sugere Antônio Carlos.
A professora de psicologia Lídia Rodrigues Schwarz, da Universidade Metodista de São Paulo, afirma que o retrato que a novela faz corresponde ao perfil da maioria feminina: “Em América, há um exagero, uma exaltação das características mais fortes. As mulheres são todas egoístas e só pensam em dinheiro. Infelizmente, isso não está tão distante da realidade”.
Duas atrizes da novela fizeram um teste para descobrir com qual das personagens se identificam. A atriz Camila Rodrigues, que faz a Mari, concluiu que é do tipo romântico: “Vasculharia as coisas do meu namorado se suspeitasse de traição”. Juliana Paes, a dissimulada Creusa, na vida real é do tipo realista: “Coloco a carreira em primeiro lugar”.