O descolamento da retina é um problema que não pode ser desprezado e que tem alguns sintomas anteriores que podem ajudar no tratamento precoce. “Qualquer caso de descolamento é uma situação bastante grave. Não dá para se descuidar”, alerta o dr. Wener Cella.
De acordo com o retinólogo, existem alguns sintomas básicos da doença. Ele relaciona os clássicos: vista turva (embaçada), aparecimento de manchas escuras e de pontinhos escurecidos no campo da visão, estes conhecidos, mais popularmente, como moscas volantes.
Estes pontos escurecidos, que ficam se mexendo diante dos olhos de um lado para o outro, podem ser, segundo o retinólogo, o primeiro sinal de descolamento da retina: “Quando as moscas volantes vêm acompanhadas de flashes luminosos, como se fosse de uma máquina fotográfica, a pessoa deve procurar um especialista para analisar o problema”.
Cella explica que, além do deslocamento, a mosca volante pode ser um indício de outros problemas como a degeneração do vítreo (que é a gelatina que preenche o lado posterior do olho) e a presença de hemorragia. De qualquer forma, esta é a hora de fazer o exame chamado de mapeamento da retina.
Se for detectado um caso de descolamento, o tratamento pode ser ambulatorial ou cirúrgico, dependendo de sua gravidade. “No caso de uma detecção muito precoce, o procedimento é a aplicação de laser, que é, inclusive, oferecido pelo SUS”, informa o dr. Cella.
Se o deslocamento de retina já tiver se instalado, o paciente pode fazer três tipos de cirurgias. A primeira delas é a retinopexia pneumática. Esta é indicada para os casos menos graves e a reação inflamatória não é tão grande. Esta cirurgia é feita por meio da injeção de gás dentro do olho, associado a aplicação de laser.
A retinopexia com inflexão escleral é feita naqueles pacientes em que o deslocamento da retina é moderadamente grave. Este procedimento é extra-ocular (sem necessidade de entrar no olho da pessoa). Aqui é realizada a aproximação da parede do globo ocular com a retina por meio da colocação de silicone rígido. O laser é usado para fazer a aderência dos dois.
Por fim, nos casos mais graves, a solução é a cirurgia e vitrectomia, mais complexa, onde é feita três incisões no olho, pelas quais o cirurgião vai trabalhar a região intraocular.
Cella adverte, porém, que nenhum destes procedimentos cirúrgicos garantem o percentual da visão que pode ser recuperado. Por isso é que, sugere ele, antes de correr o risco de sofrer com o problema do descolamento de retina, as pessoas devem fazer pelo menos uma vez anualmente o exame de mapeamento da retina. É a tal velha e sábia história: prevenir é melhor do que remediar.