Ocaso da morte do jogador de futebol Paulo Sérgio de Oliveira Silva, apelidado de Serginho, zagueiro do time paulista São Caetano, na última quarta-feira, em plena partida, alertou o País inteiro para um problema que pode atingir saudáveis atletas: a morte súbita por parada cardíaca. Mas, quando essa fatalidade pode acontecer?
Sabe-se que a maioria das vítimas de morte súbita encontra-se em sua idade mais produtiva e cerca de 95% delas não conseguem chegar vivas aos hospital. Isso porque apesar do nome, que indica um fim instantâneo, este tipo de problema não acontece num tempo tão rápido assim. “Morte súbita é considerada todo tipo de morte que acontece no prazo de uma hora”, explica a cardiologista e professora de Educação Física da Universidade de Brasilia-UnB, Eney Fernandes.
A especialista afirma que nesses casos, pelo menos uma hora antes, as pessoas têm algum tipo de mal-estar, uma tontura. “É um sintoma, um sinal de que está acontecendo algo no organismo. Acredito que o jogador (Serginho) pode ter se queixado um pouco antes de algum incômodo, uma dor qualquer”, considera a cardiologista.
Este incômodo ou mal-estar, contudo, não chega a ser incapacitante. A pessoa não imagina que aquilo pode virar algo mais grave, como, por exemplo, uma parada cardíaca. “A morte súbita tem como principal causa, em quase 100%, uma doença cardíaca”, garante a dra. Eney.
Quando a pessoa tem a parada cardíaca, a sobrevida é reduzida em sete a 10% a cada minuto e a morte cerebral inicia-se após quatro a seis minutos. Isto quer dizer que até cerca de dez minutos, a vítima ainda tem chance de sobreviver. Após este período, são quase nulas as possibilidades de ressuscitação.
O risco de morte súbita é mais elevado em pessoas sendentárias, mas o coração prega peças, como no caso fatal de Serginho, até em quem costuma se exercitar constantemente. Aqui, a adrenalina liberada na prática da atividade física se junta, entre outros, a anomalias cardíacas ou ao uso indevido de drogas ilegais. Essa química provoca distúrbios do ritmo cardíaco que podem levar à parada cardíaca e à morte.
No geral, as mortes súbitas são provocadas pela doença isquêmica do miocárdio, mais freqüente em pessoas acima dos 35 anos. A segunda seria a presença de anomalias congênitas. E é aqui que se enquadram os atletas.