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Monólogo de Sérgio Britto volta aos palcos da cidade

Arquivo Geral

05/10/2007 0h00

O ator Sérgio Britto lia, no início do ano, A Cada Um o Seu, do siciliano Leonardo Sciascia, quando se lembrou do lado italiano de sua família. Decidiu ligar para sua prima, de 92 anos. Quando pegou o telefone, antes mesmo de discar, toca o aparelho: era ela.

“É sincronicidade”, resume Britto, em referência ao termo  defendido  no trabalho do psicanalista Carl Jung, sobre a coincidência entre pensamentos e fatos. Tem a ver com esses fundamentos o espetáculo Jung e Eu, que ele protagoniza, em temporada no Teatro da Caixa com início sábado.

Possivelmente falará ao público sobre o tema, nesta sexta-feira, às 19h, também no Teatro da Caixa, durante a palestra  Conversa Sobre o Ato de Representar, onde aborda seus 60 anos de palco.

Jung e Eu mostra a saga de Svoba, ator shakespeariano que, aos 80 anos, não tem perspectiva de trabalho e procura um novo papel no teatro quando surge o convite para que logo ele, que nunca se interessou por filosofia, psicologia e afins, mergulhe no universo psíquico de  Carl Jung.

Semelhante a Svoba, Britto não tinha intimidade com o ofício  de Jung. “Não sou daqueles que contam segredos íntimos a estranhos”, dispara, ao explicar por que sempre manteve um pé atrás com a psicanálise. Mas quando Domingos de Oliveira – que assina o texto em parceria com Giselle Falbo Kosovski e também direção de Jung e Eu – lhe apresentou a proposta da peça, Britto teve de fazer um esforço.

Pesquisa
“Descobri o tanto de junguianos que existem no País”, conta, ao lembrar de amigos e conhecidos que lhe enviavam livros sobre o contemporâneo de Freud. “Sempre achei que os junguianos complicam tudo”, brinca. “Ele mesmo (Jung) confessa que escreve de maneira confusa”, continua.

“Eu era muito católico. Estudava em Colégio Marista (Externato São José, no Rio de Janeiro), quando vivi uma relação meio pedófila. Achei tudo muito chocante. Comecei a achar todo o discurso da Igreja um absurdo”, conta.

Daquela época para cá, o ator se tornou crítico de posições da Igreja como a obrigatoriedade do celibato do clero e da proibição do uso de preservativos. “Deus fez o homem com órgãos genitais para que eles sejam usados. E o sexo não deve ser encarado como ato apenas reprodutivo. Sexo deve ser visto como  algo mais elevado como o amor. E amor não precisa de atos oficiais”, defende.

“Mas nem isso me fez ficar ateu”, informa. “Eu tenho fé. Não sei quem é Deus, mas sei que ele existe”, declara. Britto recorre à fé para falar de sua recuperação no início do ano – adoentado, ficou meses com dificuldades des locomoção. “Pensei em desistir da carreira, mas Deus me ajudou”, conta.

Jung e Eu – De Domingos de Oliveira e Giselle Falbo Kosovski. Direção de Domingos de Oliveira. Com  Sérgio Britto. Sábado, às 17h e às 21h;   e domingo, às 18h, no  Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul,  quadra 4). Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia, para estudantes, idosos, professores e funcionários da Caixa). À venda na bilheteria.  Informações:  3206-6456.

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