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Mestre da viola

Arquivo Geral

20/01/2005 0h00

Na qualidade de mestre da viola de seu tempo, Renato Teixeira prefere abdicar do posto que lhe é conferido de “estrela da música caipira” para se declarar, com a costumeira humildade, um “trabalhador braçal da música”. Poeta, violeiro e, sobretudo, modernizador da canção interiorana sertaneja, Teixeira é o célebre compositor por trás de Romaria e Cavalo Bravo, duas das canções que traz a Brasília, hoje, no show de inauguração do projeto Viola Sertaneja, do Café Cancun.

O show que Renato Teixeira faz em Brasília será único. Não haverá fórmula repetida de outras performances nem um repertório pré-moldado. “Não gosto de ir para o show pronto, se não fica um igual ao outro. Gosto de criar com o público, conforme vem a inspiração. Cada show é um show”, comenta o músico. Teixeira promete, entretanto, que o público não ficará desamparado dos sucessos de seus mais de 30 anos de carreira, como os já citados Romaria e Cavalo Bravo, além das antologias Sina de Violeiro, Amora e Casinha Branca (de Elpídio dos Santos).

No show do Viola Sertaneja, o compositor apresenta algumas novidades que,

conforme adiantou ao Jornal de Brasília, o público só conhecerá na hora.

As canções inéditas criadas por Teixeira fazem parte de seu novo trabalho,

um álbum ainda sem título em parceria com o compositor e contador de

histórias Rolando Boldrin. “Esse era o grande sonho da minha vida”,

admite. O disco, previsto para ser lançado entre março e abril, contempla canções de domínio público como Acorda, Maria Bonita e músicas do repertório de João do Valle, João Pacífico e Lupicínio Rodrigues.

Bossa Nova A carreira de Renato Teixeira começou com um

pé na bossa nova. Entre suas grandes referências estão Chico Buarque, Milton Nascimento e Geraldo Vandré. “Minha música

tem uma influência do som da geração que se formou na bossa nova”, diz. Segundo ele, todas as suas canções funcionam

tanto no ritmo caipira como no dedilhado de João Gilberto.

Contudo, foi nos interiores que Renato encontrou aquilo

que despertaria seu talento de compositor. “Quando cheguei a São Paulo, encontrei Vandré, Caetano e Chico. Cada um tinha sua história e sua bandeira. Então, busquei minha personalidade musical, falando das coisas que conhecia”, detalha. A maior influência do compositor, contudo,

foi mesmo a cultura sertaneja, segundo ele, principalmente aquela dos versos de Guimarães Rosa, da fantasia de Monteiro Lobato e dos quadros de Tarsila do Amaral. “Todo esse universo caipira tem muita influência, mas a “cicatriz” que a bossa nova deixou é impossível de se livrar.

Numa de suas poesias, Renato Teixeira descreve muito bem como foi seduzido pela canção: “Eu poderia ter sido fogueteiro como meu avô, Jango Teixeira, que tocava bombardino na banda. Poderia ter sido professor, como meu avô paterno, Theodorico de Oliveira, que tem uma linda história intelectual com a poesia e a literatura. Mas a música não

me deixou espaços. Quis ser arquiteto; descobri que foi

por causa de um verso de Manuel Bandeira, pregado

na parede do atelier

do Romeu Simi.

Passou a arquitetura, ficou o verso”.

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    Mestre da viola

    Arquivo Geral

    20/01/2005 0h00

    Na qualidade de mestre da viola de seu tempo, Renato Teixeira prefere abdicar do posto que lhe é conferido de “estrela da música caipira” para se declarar, com a costumeira humildade, um “trabalhador braçal da música”. Poeta, violeiro e, sobretudo, modernizador da canção interiorana sertaneja, Teixeira é o célebre compositor por trás de Romaria e Cavalo Bravo, duas das canções que traz a Brasília, hoje, no show de inauguração do projeto Viola Sertaneja, do Café Cancun.

    O show que Renato Teixeira faz em Brasília será único. Não haverá fórmula repetida de outras performances nem um repertório pré-moldado. “Não gosto de ir para o show pronto, se não fica um igual ao outro. Gosto de criar com o público, conforme vem a inspiração. Cada show é um show”, comenta o músico. Teixeira promete, entretanto, que o público não ficará desamparado dos sucessos de seus mais de 30 anos de carreira, como os já citados Romaria e Cavalo Bravo, além das antologias Sina de Violeiro, Amora e Casinha Branca (de Elpídio dos Santos).

    No show do Viola Sertaneja, o compositor apresenta algumas novidades que,

    conforme adiantou ao Jornal de Brasília, o público só conhecerá na hora.

    As canções inéditas criadas por Teixeira fazem parte de seu novo trabalho,

    um álbum ainda sem título em parceria com o compositor e contador de

    histórias Rolando Boldrin. “Esse era o grande sonho da minha vida”,

    admite. O disco, previsto para ser lançado entre março e abril, contempla canções de domínio público como Acorda, Maria Bonita e músicas do repertório de João do Valle, João Pacífico e Lupicínio Rodrigues.

    Bossa Nova A carreira de Renato Teixeira começou com um

    pé na bossa nova. Entre suas grandes referências estão Chico Buarque, Milton Nascimento e Geraldo Vandré. “Minha música

    tem uma influência do som da geração que se formou na bossa nova”, diz. Segundo ele, todas as suas canções funcionam

    tanto no ritmo caipira como no dedilhado de João Gilberto.

    Contudo, foi nos interiores que Renato encontrou aquilo

    que despertaria seu talento de compositor. “Quando cheguei a São Paulo, encontrei Vandré, Caetano e Chico. Cada um tinha sua história e sua bandeira. Então, busquei minha personalidade musical, falando das coisas que conhecia”, detalha. A maior influência do compositor, contudo,

    foi mesmo a cultura sertaneja, segundo ele, principalmente aquela dos versos de Guimarães Rosa, da fantasia de Monteiro Lobato e dos quadros de Tarsila do Amaral. “Todo esse universo caipira tem muita influência, mas a “cicatriz” que a bossa nova deixou é impossível de se livrar.

    Numa de suas poesias, Renato Teixeira descreve muito bem como foi seduzido pela canção: “Eu poderia ter sido fogueteiro como meu avô, Jango Teixeira, que tocava bombardino na banda. Poderia ter sido professor, como meu avô paterno, Theodorico de Oliveira, que tem uma linda história intelectual com a poesia e a literatura. Mas a música não

    me deixou espaços. Quis ser arquiteto; descobri que foi

    por causa de um verso de Manuel Bandeira, pregado

    na parede do atelier

    do Romeu Simi.

    Passou a arquitetura, ficou o verso”.

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