Uma tecnologia desenvolvida no Brasil durante dez anos poderá ajudar pessoas com úlceras crônicas e feridas causadas por pressão (escaras) ou por diabetes. Previsto para ser lançado nesta semana, o Biocure contém uma proteína vegetal que estimula a formação de vasos sangüíneos (angiogênese) e, conseqüentemente, de novos tecidos, acelerando a cicatrização da ferida.
Preparado à base de látex, o Biocure é classificado como uma membrana bioativa, pois, além de proteger a lesão como os curativos tradicionais, ele age sobre o organismo. A cicatrização de uma úlcera crônica de médio porte demora cerca de oito semanas e consome 20 curativos, explicou a nefrologista Eleonora Silva Lins, coordenadora do departamento médico da Pelenova Biotecnologia, empresa que está lançando o produto. Cada unidade da membrana, que é descartável, custa R$ 28,50.
Úlceras crônicas são freqüentes em pacientes com problemas circulatórios graves. “Se a circulação não é adequada, ocorre o comprometimento da irrigação da pele e isso dificulta a cicatrização. Às vezes, uma ferida pode demorar mais de dez anos para fechar”, diz Lins.
Em pessoas diabéticas cuja doença não está sob controle, a circulação também fica comprometida. “A ferida pode se tornar uma porta de entrada de bactérias”, afirma a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a médica brasiliense Valéria Guimarães.
Lesões crônicas, diabéticas ou por pressão passam por diferentes estágios, e cada uma dessas fases deve ser tratada de maneira diferenciada, explica a enfermeira Beatriz Farias Alves Yamada, presidente da Sociedade Brasileira de Estomaterapia, área da enfermagem especializada em feridas. “Acredito que o Biocure vem se somar às opções disponíveis no Brasil.”
O novo curativo é contra-indicado para pessoas com alergia a látex e não deve ser usado em feridas provocadas por câncer. Apesar de não ser necessária prescrição médica para comprar o produto, a empresa recomenda ao paciente que consulte seu médico antes de usá-lo.