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Maria de Barbieri é incipiente

Arquivo Geral

25/11/2004 0h00

Tudo parecia levar a uma grande produção. O início de As Vidas de Maria, que marca a estréia do diretor Renato Brarbieri como ficcionista e que abriu a 37ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, terça-feira à noite, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, é uma boa intenção de fazer cinema, mas não consegue superar as limitações de se produzir no Distrito Federal.

Muito influenciado pela formação de documentarista, Barbieri se perdeu na condução de sua Maria (Ingra Liberato, muito bem no papel), quando tentou retratar parte da história candanga utilizando uma personagem contemporânea da cidade. A linguagem ficcional pretendida pelo roteiro várias vezes caiu nos vícios desse documentarismo, que caracteriza boa parte da geração de cineastas surgidos na Universidade de Brasília (UnB).

De um começo brilhante, com clima de drama e suspense, o filme As Vidas de Maria cai num panfletarismo ingênuo que tenta perfilar histórias distintas da capital, sem apresentar os porquês. Um filho de deputado federal é mandado para a Europa para não ser preso por tráfico de cocaína. Essa história verídica do final dos anos 70, assim como o que ocorreu nas Diretas Já e no dia dos caras-pintadas que derrubaram Collor, entra no filme sem importância alguma para a trama, que apenas usa a cidade, mas a esconde do espectador. No fundo, Brasília – muito maltratada na continuidade da edição – pouco interfere na vida de Maria, que poderia ter vivido em qualquer outro lugar.

Outro ponto perturbador é o tratamento de fotografia, excepcional em algumas seqüências (como na do casamento, na Igreja Dom Bosco) e beirando os padrões de projeto de final de curso da UnB em várias outras, como na despedida do pai de Maria, na Praça dos Três Poderes.

Mas o filme tem seus méritos quando consegue mexer com o emocional do público. Em várias passagens pôde-se ouvir suspiros e soluços na platéia que superlotou a Sala Villa-Lobos. Entretanto, dificilmente essa história pegará fora de Brasília, já que a linguagem e o contexto são pouco universais, sugerindo muito mais um enfoque provinciano.

O esforço do elenco também deve ser reverenciado, principalmente no que concerne ao bamba Gésio Amadeu, que faz o bom padrinho de Maria, e da estreante em cinema e já dizendo ao que veio na TV, Stephany Brito, que faz a protagonista em sua fase adolescente. Destaque também para Dora Wainer, que cria a Maria de Barbieri.

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    Maria de Barbieri é incipiente

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    25/11/2004 0h00

    Tudo parecia levar a uma grande produção. O início de As Vidas de Maria, que marca a estréia do diretor Renato Brarbieri como ficcionista e que abriu a 37ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, terça-feira à noite, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, é uma boa intenção de fazer cinema, mas não consegue superar as limitações de se produzir no Distrito Federal.

    Muito influenciado pela formação de documentarista, Barbieri se perdeu na condução de sua Maria (Ingra Liberato, muito bem no papel), quando tentou retratar parte da história candanga utilizando uma personagem contemporânea da cidade. A linguagem ficcional pretendida pelo roteiro várias vezes caiu nos vícios desse documentarismo, que caracteriza boa parte da geração de cineastas surgidos na Universidade de Brasília (UnB).

    De um começo brilhante, com clima de drama e suspense, o filme As Vidas de Maria cai num panfletarismo ingênuo que tenta perfilar histórias distintas da capital, sem apresentar os porquês. Um filho de deputado federal é mandado para a Europa para não ser preso por tráfico de cocaína. Essa história verídica do final dos anos 70, assim como o que ocorreu nas Diretas Já e no dia dos caras-pintadas que derrubaram Collor, entra no filme sem importância alguma para a trama, que apenas usa a cidade, mas a esconde do espectador. No fundo, Brasília – muito maltratada na continuidade da edição – pouco interfere na vida de Maria, que poderia ter vivido em qualquer outro lugar.

    Outro ponto perturbador é o tratamento de fotografia, excepcional em algumas seqüências (como na do casamento, na Igreja Dom Bosco) e beirando os padrões de projeto de final de curso da UnB em várias outras, como na despedida do pai de Maria, na Praça dos Três Poderes.

    Mas o filme tem seus méritos quando consegue mexer com o emocional do público. Em várias passagens pôde-se ouvir suspiros e soluços na platéia que superlotou a Sala Villa-Lobos. Entretanto, dificilmente essa história pegará fora de Brasília, já que a linguagem e o contexto são pouco universais, sugerindo muito mais um enfoque provinciano.

    O esforço do elenco também deve ser reverenciado, principalmente no que concerne ao bamba Gésio Amadeu, que faz o bom padrinho de Maria, e da estreante em cinema e já dizendo ao que veio na TV, Stephany Brito, que faz a protagonista em sua fase adolescente. Destaque também para Dora Wainer, que cria a Maria de Barbieri.

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