Menu
Promoções

Maldade que faz bem

Arquivo Geral

20/06/2004 0h00

Celebridade não lançou nenhuma “namoradinha”, nem um novo galã. A novela de Gilberto Braga – que termina esta semana, após 221 capítulos – não fez sequer uma campanha em prol da sociedade. Ao contrário. Em muitos momentos, mostrou que o mal prevalece e os vilões são mais interessantes do que os mocinhos. E daí?

A trama rendeu média de 45 pontos de audiência, com 67% de share (percentual entre os televisores ligados). “Laura (Cláudia Abreu) e Renato Mendes (Fábio Assunção) dominaram a trama”, acredita Mauro Alencar, autor do livro A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil.

Em uma das cenas mais esperadas pelo público, o momento em que a heroína Maria Clara (Malu Mader) resolve ser má e dar uma surra em Laura (Cláudia Abreu), no banheiro do Espaço Fama, a trama marcou números recordes. Só alcançados nos melhores momentos de Mulheres Apaixonadas: 58 pontos de média, com 81% de participação e pico de 63 pontos. A cena do tiro que matou Fernanda (Vanessa Gerbelli), na trama de Manoel Carlos, marcou 58 pontos.

Os números quase comprovam que, ao acompanhar Celebridade, o público queria mesmo é ver maldade. “O romance de Maria Clara e Fernando (Marcos Palmeira) não teve grandes atrativos”, analisa Mauro Alencar, que aponta a crítica social irônica de Gilberto Braga como um ponto favorável. A dona de casa Cristina Barros, 28 anos, concorda. “O bom foi ver os embates de Laura e Renato e as cenas quentes dela com Marcos (Márcio Garcia)”, empolga-se.

Já a pesquisadora do Núcleo de Telenovelas da USP Maria Lourdes Motter alerta para os perigos que a novela pode ter causado ao fazer dos vilões o grande destaque. “Foi um exagero de coisas erradas. A trama deu um manual da malandragem. Muita gente vai se aproveitar”, acredita a professora. “Novela tem muita influência na vida das pessoas e não deve trazer problemas para o senso comum”, analisa a pesquisadora, que aponta a inseminação de Darlene (Deborah Secco) como uma das calamidades da trama.

Mas nem tudo foi maldade. Apresentadora do Sem Censura, Leda Nagle elege o núcleo do Andaraí. “Queria comer aquele cachorro-quente. Bater papo com o jornaleiro. Ali, todos torcem pelo bem dos vizinhos, apesar de saberem de suas fraquezas”, afirma Leda, que, no entanto, escolhe a Ana Paula de Ana Beatriz Nogueira como a favorita. “Ela é invejosa, rancorosa e feiosa. Estava bárbara.” Uma vilã.

    Você também pode gostar

    Maldade que faz bem

    Arquivo Geral

    20/06/2004 0h00

    Celebridade não lançou nenhuma “namoradinha”, nem um novo galã. A novela de Gilberto Braga – que termina esta semana, após 221 capítulos – não fez sequer uma campanha em prol da sociedade. Ao contrário. Em muitos momentos, mostrou que o mal prevalece e os vilões são mais interessantes do que os mocinhos. E daí?

    A trama rendeu média de 45 pontos de audiência, com 67% de share (percentual entre os televisores ligados). “Laura (Cláudia Abreu) e Renato Mendes (Fábio Assunção) dominaram a trama”, acredita Mauro Alencar, autor do livro A Hollywood Brasileira – Panorama da Telenovela no Brasil.

    Em uma das cenas mais esperadas pelo público, o momento em que a heroína Maria Clara (Malu Mader) resolve ser má e dar uma surra em Laura (Cláudia Abreu), no banheiro do Espaço Fama, a trama marcou números recordes. Só alcançados nos melhores momentos de Mulheres Apaixonadas: 58 pontos de média, com 81% de participação e pico de 63 pontos. A cena do tiro que matou Fernanda (Vanessa Gerbelli), na trama de Manoel Carlos, marcou 58 pontos.

    Os números quase comprovam que, ao acompanhar Celebridade, o público queria mesmo é ver maldade. “O romance de Maria Clara e Fernando (Marcos Palmeira) não teve grandes atrativos”, analisa Mauro Alencar, que aponta a crítica social irônica de Gilberto Braga como um ponto favorável. A dona de casa Cristina Barros, 28 anos, concorda. “O bom foi ver os embates de Laura e Renato e as cenas quentes dela com Marcos (Márcio Garcia)”, empolga-se.

    Já a pesquisadora do Núcleo de Telenovelas da USP Maria Lourdes Motter alerta para os perigos que a novela pode ter causado ao fazer dos vilões o grande destaque. “Foi um exagero de coisas erradas. A trama deu um manual da malandragem. Muita gente vai se aproveitar”, acredita a professora. “Novela tem muita influência na vida das pessoas e não deve trazer problemas para o senso comum”, analisa a pesquisadora, que aponta a inseminação de Darlene (Deborah Secco) como uma das calamidades da trama.

    Mas nem tudo foi maldade. Apresentadora do Sem Censura, Leda Nagle elege o núcleo do Andaraí. “Queria comer aquele cachorro-quente. Bater papo com o jornaleiro. Ali, todos torcem pelo bem dos vizinhos, apesar de saberem de suas fraquezas”, afirma Leda, que, no entanto, escolhe a Ana Paula de Ana Beatriz Nogueira como a favorita. “Ela é invejosa, rancorosa e feiosa. Estava bárbara.” Uma vilã.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado