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Mais um ano morninho

Arquivo Geral

31/12/2003 0h00

Este foi mais um ano que passou feito uma flecha – o que, pelo menos em termos de programação de tevê, significa que não houve muitas novidades que marcassem época. Nem por isso elas deixaram de existir, em quase todos os canais abertos. E a Globo, a emissora mais poderosa do circuito, naturalmente reuniu boa parte dos destaques – o que não quer dizer que escapou dos fiascos.

Melhor começar pela primeira parte, que é o capítulo minisséries – onde o Brasil, cada vez mais, dá de dez na concorrência. Iniciada no fim de 2002 e concluída em janeiro deste ano, A Casa das Sete Mulheres, justiça seja feita, foi um dos melhores produtos que a emissora apresentou nos últimos tempos.

A esse sucesso não só se deve a escalação de um elenco de primeira linha – entre outros, Eliane Giardini, Giovanna Antonelli, Vera Holtz, Werner Schünemann, Murilo Rosa, Nívea Maria e Bete Mendes –, como também à escolha de um tema que resgata importante faixa da história brasileira passada no Rio Grande do Sul. Essa marcou época.

No quesito novelas, porém, onde a Globo parece ter se acostumado a deitar sobre um sucesso aparentemente consolidado, não se puderam registrar tantas proezas. A faixa das seis e das sete da noite, por exemplo, mergulhou na mesmice. Trouxe à tona bobagens como Agora é Que São Elas (anterior a Chocolate com Pimenta), trama apoiada na falsa idéia de que figuras emblemáticas da emissora poderiam ser garantia de sucesso. Foi uma escolha das mais infelizes colocar Marisa Orth e Miguel Falabella como o casal protagonista, já que ambos não conseguiram se desvencilhar dos vícios adquiridos no falido Sai de Baixo.

A faixa das sete, por sua vez, manteve sua temperatura morna. O Beijo do Vampiro, novela anterior à brejeira mas cansativa Kubanacan, usou e abusou de efeitos especiais para inserir um violento marketing da casa nos produtos derivados de signos de terror. Venceu pelo cansaço, e graças à veia cômica de atores como Tato Gabus Mendes, Beth Gofman e até Cláudia Raia, que se esbaldaram na construção dos personagens.

A faixa nobre, que abocanha o período das oito da noite, deixou poucas saudades de Esperança, novela encerrada no início do ano; movimentou opiniões com Mulheres Apaixonadas, que pelo menos abordou alguns temas polêmicos e úteis; e agora enrola o telespectador com Celebridade, folhetim que demonstra estar desperdiçando o potencial justamente dos atores que vivem os papéis principais – Malu Mader e Marcos Palmeira, respectivamente Maria Clara e Fernando.

De resto, não há muito a destacar no que a Globo fez em 2003 – até porque o forte da emissora ainda são as novelas. O segmento humorístico, vá lá, não anda tão mal, agora com novos produtos e desvencilhado de Os Normais, que mereceu virar filme e livrou o telespectador de um humor predominantemente escatológico e candidato às repetições. Casseta & Planeta, que eventualmente padece do mesmo mal, ainda tem quadros razoáveis.

Quanto ao jornalismo, foi mais um ano em que não conferiu à emissora nenhum diferencial de peso. Principalmente na geração Globo Repórter, repetitiva, e no Fantástico, salvo por uma ou outra inserções que conferem atratividade ao programa por conta não de sua fórmula original – mas dos humoristas.

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    31/12/2003 0h00

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    Melhor começar pela primeira parte, que é o capítulo minisséries – onde o Brasil, cada vez mais, dá de dez na concorrência. Iniciada no fim de 2002 e concluída em janeiro deste ano, A Casa das Sete Mulheres, justiça seja feita, foi um dos melhores produtos que a emissora apresentou nos últimos tempos.

    A esse sucesso não só se deve a escalação de um elenco de primeira linha – entre outros, Eliane Giardini, Giovanna Antonelli, Vera Holtz, Werner Schünemann, Murilo Rosa, Nívea Maria e Bete Mendes –, como também à escolha de um tema que resgata importante faixa da história brasileira passada no Rio Grande do Sul. Essa marcou época.

    No quesito novelas, porém, onde a Globo parece ter se acostumado a deitar sobre um sucesso aparentemente consolidado, não se puderam registrar tantas proezas. A faixa das seis e das sete da noite, por exemplo, mergulhou na mesmice. Trouxe à tona bobagens como Agora é Que São Elas (anterior a Chocolate com Pimenta), trama apoiada na falsa idéia de que figuras emblemáticas da emissora poderiam ser garantia de sucesso. Foi uma escolha das mais infelizes colocar Marisa Orth e Miguel Falabella como o casal protagonista, já que ambos não conseguiram se desvencilhar dos vícios adquiridos no falido Sai de Baixo.

    A faixa das sete, por sua vez, manteve sua temperatura morna. O Beijo do Vampiro, novela anterior à brejeira mas cansativa Kubanacan, usou e abusou de efeitos especiais para inserir um violento marketing da casa nos produtos derivados de signos de terror. Venceu pelo cansaço, e graças à veia cômica de atores como Tato Gabus Mendes, Beth Gofman e até Cláudia Raia, que se esbaldaram na construção dos personagens.

    A faixa nobre, que abocanha o período das oito da noite, deixou poucas saudades de Esperança, novela encerrada no início do ano; movimentou opiniões com Mulheres Apaixonadas, que pelo menos abordou alguns temas polêmicos e úteis; e agora enrola o telespectador com Celebridade, folhetim que demonstra estar desperdiçando o potencial justamente dos atores que vivem os papéis principais – Malu Mader e Marcos Palmeira, respectivamente Maria Clara e Fernando.

    De resto, não há muito a destacar no que a Globo fez em 2003 – até porque o forte da emissora ainda são as novelas. O segmento humorístico, vá lá, não anda tão mal, agora com novos produtos e desvencilhado de Os Normais, que mereceu virar filme e livrou o telespectador de um humor predominantemente escatológico e candidato às repetições. Casseta & Planeta, que eventualmente padece do mesmo mal, ainda tem quadros razoáveis.

    Quanto ao jornalismo, foi mais um ano em que não conferiu à emissora nenhum diferencial de peso. Principalmente na geração Globo Repórter, repetitiva, e no Fantástico, salvo por uma ou outra inserções que conferem atratividade ao programa por conta não de sua fórmula original – mas dos humoristas.

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