Naná Vasconcellos não é um percussionista no sentido tradicional do ofício. O músico pernambucano, reconhecido no cenário mundial do jazz por sua versatilidade, extrapola o universo dos tambores e atabaques e utiliza, sobretudo, o próprio corpo e voz como instrumento, no mais recente show que traz a Brasília neste fim de semana, O Bater do Coração. “Meu primeiro instrumento é a voz. Meu melhor instrumento é o corpo”, diz Naná, nascido em Recife e aprendiz de percussão desde os 12 anos de idade, quando tocava em uma banda marcial. O notável gigante da batucada levou a performance para a Europa, China e Japão. Na capital federal, o espetáculo ganha forma no palco do Teatro Funarte Plínio Marcos.O espectador poderá conferir o som inusitado e inventivo de Naná, que traz em sua bagagem influências que variam do eruditismo de Heitor Villa-Lobos à atitude do guitarrista norte-americano Jimi Hendrix. Em O Bater do Coração, Naná pretende “contar histórias sem palavras”, como define. O lado visual vai ser priorizado pelo músico. “É uma performance. Com a música, vou construir um cenário como a selva. Platéia, vamos para a selva!”, adianta Naná.O trabalho do instrumentista é mais conhecido no exterior do que no próprio País, carma de outros tantos bons artistas tupiniquins. “É uma música brasileira que o Brasil não conhece”, explica o compositor. Naná bate em seu corpo em alguns momentos do show e gera sons tão exóticos quanto refinados. “Mas não é masoquismo”, brinca o percussionista. Pelo contrário, é um espetáculo enebriante como o de um conjunto de câmara.
“Gosto de comparar o som que faço na percussão com uma orquestra”, ressalta o artista, especialista em instrumentos de origem indiana e africana.