Por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde 18 de junho todas as farinhas de trigo e milho vendidas no País – ou importadas – deverão conter ferro e ácido fólico. Em conseqüência, o macarrão, alimento consumido em larga escala, também passará a ser fonte destes importantes nutrientes, que combatem problemas de formação do feto durante a gestação, e a anemia ferropriva, em qualquer idade ou classe social.
A iniciativa foi aplaudida pela Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima). Segundo a presidente da associação, Eliane Kay, “a indústria de massas apóia a lei por considerar os benefícios que a adição dos dois nutrientes irá trazer à população”, mas lembra que o Ministério da Saúde deve realizar uma campanha explicativa sobre os benefícios dessa lei. “Apesar de o macarrão não apresentar nenhuma alteração de aparência ou sabor, o consumidor pode não entender muito bem o que essa adição representa”, completa.
BenefíciosPara entender melhor os benefícios que o ácido fólico e o ferro trazem ao organismo, a nutricionista Cynthia Antonaccio esclarece que a importância desses nutrientes está relacionada a três períodos importantes da vida, que correspondem à idade fértil da mulher, ao período de gestação e amamentação e aos primeiros meses de vida do bebê.
“Essa resolução é fantástica, já que muitas mulheres só descobrem que estão grávidas a partir do segundo ou terceiro mês de gravidez, período em que a ingestão desses nutrientes é fundamental para a saúde do feto. Agora, com o macarrão enriquecido, isso acontecerá naturalmente, o que resultará em uma ótima forma de prevenção”.
Segundo a nutricionista, a falta do ácido fólico no organismo da mulher pode trazer conseqüências sérias e irreversíveis ao desenvolvimento do feto, como a malformação do tubo neural, que dá origem ao cérebro e à medula espinhal do feto, além de hidrocefalia e mielomeningocele, uma doença grave que causa paralisia de órgãos internos como bexiga, rins e intestino.
Dados da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), entidade que trata e reabilita portadores de deficiência física há 53 anos, revela que nos últimos cinco anos foram registrados, na associação, 2.600 novos casos de mielomeningocele. Este número alarmante fez com que a entidade, respeitada internacionalmente quando o assunto é deficiência física, buscasse uma solução preventiva.