A artrite reumatóide (AR) é uma doença que atinge cerca de 60 milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente as mulheres. Para cada quatro pessoas com essa enfermidade, três são do sexo feminino. Somente no Brasil, um milhão de pessoas sofrem desse mal, sendo 750 mil mulheres. Um novo medicamento, de custo elevadíssimo, foi lançado em São Paulo, no úlitmo sábado, e surge como luz no fim do túnel para os pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais da doença. O objetivo do fabricante é forçar a distribuição gratuita desse medicamento à população, por meio das secretarias estaduais de saúde em todo o País.
As causas da AR ainda são desconhecidas. Ela afeta e destrói a cartilagem das articulações em pessoas, geralmente, a partir dos 30 anos de idade, podendo levar à invalidez total e à morte. Os especialistas acreditam que a doença se manifesta em pessoas com o sistema imunológico superativo, ou seja, que produz em excesso as proteínas normalmente encontradas no organismo humano. Há casos de pessoas jovens, inclusive crianças, desenvolvendo a doença.
A expectativa média de vida dos pacientes com AR pode ser reduzida de três a sete anos. Dez por cento das pessoas portadoras de AR se tornam gravemente deficientes depois de 20 anos com a doença e não conseguem realizar suas atividades diárias de rotina, como se alimentar, se vestir, calçar os sapatos, ou mesmo, fazer um carinho em alguém. Os principais sintomas da AR são inflamação, dores (mais agudas durante a parte da manhã), inchaço e enrijecimento das articulações. Para diagnosticar a doença, o médico solicita exames de raio X e de sangue e avalia o histórico médico do paciente.
HumiraEmbora o novo medicamento, denominado Humira, ainda não seja uma cura definitiva da AR, ele proporciona ao paciente que não responde aos tratamentos convencionais uma nova possibilidade de levar uma vida praticamente normal. “Naqueles pacientes em que o tratamento convencional está surtindo efeito, o acompanhamento deve ser mantido. Mas, para aqueles (pacientes) em que houve falha do tratamento conservador, isto é, convencional, esse medicamento (o Humira) traz uma nova expectativa, porque, em 70% dos casos, esses pacientes têm uma melhora significativa”, afirmou o professor da Universidade Federal de São Paulo (USP) e vice-presidente do Hospital Albert Einstein, o reumatologista José Goldenberg.
PróteseFoi o que aconteceu com o advogado Luis Gustavo Rehder, de 40 anos. Aos 16 anos, Luis descobriu que tinha AR. Após uma série de tratamentos com antiinflamatórios, cortisona e uma cirurgia para colocar uma prótese no quadril, devido a degenaração quase que completa da cartilagem, o advogado foi um dos beneficiados do estudo clínico do Humira no Brasil. “Para mim, este tratamento é definitivo. Os inchaços nos joelhos sumiram. Na segunda dose, já não sentia mais dores e, desde então, não tive outras crises. Hoje, tenho a sensação de independência, de poder cuidar de mim mesmo”, comemora o advogado.
Com a preofessora Dalva La Puentes, 40 anos, não foi diferente. Aos 29 anos sentiu os primeiros sintomas da AR. À época, com dois filhos pequenos, Dalva tinha dificuldades de realizar tarefas rotineiras como trocar fraldas, dar banho, ou mesmo pentear os cabelos das crianças. “Meu filho de três anos pediu para eu não dar mais banho nele para que não ficasse doente”, lembrou, emocionada, Dalva. “Depois de quase um ano de tratamento com o Humira, consigo realizar minhas atividades diárias sozinha. Caminho sete quilômetros, três vezes por semana, sem sentir dor alguma”, disse, entusiasmada, a professora.
Cada dose do Humira vem numa seringa de aproximadamente dez centímetros e pode ser aplicada pelo próprio paciente. É semelhante ao tratamento do diabético que aplica, nele mesmo, a insulina para regular o nível de açúcar no organismo. O maior problema do Humira é o seu preço. O tratamento básico, que consiste na aplicação de duas doses a cada 14 dias, custa R$ 5.700, por mês.