Antonio Nóbrega e seu alter-ego, o personagem Tonheta, poderiam muito bem passar por criaturas do imaginário de Monteiro Lobato, não fossem elementos tão reais da cultura brasileira. Nóbrega, violinista barroco, dançarino folclórico, ator regionalista e compositor de ritmos ecléticos, reúne todas essas suas facetas num só espetáculo, hoje, na Sala Villa-Lobos, quando lança seu primeiro DVD, Lunário Perpétuo, título de seu mais recente álbum, lançado em 2002.
Em tempos de eletrônica, Nóbrega acredita que o brasileiro ainda privilegia sua própria música, crua. “Faz parte do nosso temperamento”, diz o pernambucano. “Às vezes as pessoas me perguntam se sou contra música eletrônica. Pelo contrário. Eu, com meu violino, me utilizo desse tipo de recurso. Agora, a eletrônica devia se colocar ao lado do aprimoramento da música e não substituí-la”.
O show cênico-musical de Nóbrega, editado em DVD, foi filmado em película pelo cineasta e fotógrafo Walter Carvalho (diretor de fotografia premiado por Lavoura Arcaica). No espetáculo de Lunário Perpétuo, que Brasília verá pela segunda vez hoje, Nóbrega se utiliza de toda fantasia do folclore brasileiro, e da arte circense para interpretar, entre outras, O Rei o Palhaço, Meu Foguete Brasileiro e Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth).
servico
Lunário Perpétuo – Show de Antonio Nóbrega. Hoje, às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 10 (meia).