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<i>O Sobrevivente</i> apresenta uma nova visão do Vietnã

Arquivo Geral

07/12/2007 0h00

As duas horas de O Sobrevivente, novo filme de Werner Herzog, podem ser divididas em duas partes quase idênticas. Na primeira, o tenente Dieter Ziegler, piloto da Marinha dos EUA no Vietnã, é designado para missão no Laos.

Estamos em 1965, a guerra no Vietnã ainda não tem a extensão que iria adquirir, e a missão de bombardear alvos estratégicos no Laos é absolutamente confidencial. Ziegler tem o avião derrubado, é feito prisioneiro pelos vietcongues, dos quais consegue escapar pela selva. Não há muito segredo sobre o fim deste filme: baseado na autobiografia de Ziegler, é evidente que ele consegue escapar. A questão não é essa, e sim: como?

Werner Herzog, que se notabilizou como um dos mais importantes cineastas alemães dos anos 60 e 70, ultimamente tem se destacado como documentarista. E o documentário, como se sabe, exige menos de um cineasta do que a ficção: é questão apenas de saber deixar o mundo vir a si. Não é tão simples quanto parece, mas é mais fácil do que ir ao encontro do mundo, transformá-lo e torná-lo digno de crédito.

Em O Sobrevivente, a primeira metade é apenas sofrível. Não pela modéstia dos efeitos especiais. É que Herzog não parece se interessar pelos aspectos que precedem a fuga: o encontro com outros prisioneiros, as violências a que são submetidos, a permanente ameaça de morte e a maneira como, aos poucos, Ziegler se impõe como líder aos colegas e comanda os planos de fuga.

A segunda metade é de outra ordem. É questão de dois homens – Ziegler (Christian Bale) e seu colega Duane (Steve Zahn) – e uma selva. A selva e suas adversidades. A natureza com a qual esses homens se defrontam a cada instante para sobreviver, até que, por fim, possamos observar talvez o melhor do filme: a transformação de Ziegler em um homem-natureza – uma espécie de identificação completa, na maneira de se ocultar, se alimentar, se proteger dos perigos.

Nesses momentos, parece que estamos de novo diante do Herzog dos velhos tempos, embora num mundo diferente: em que o controle sobre a produção parece relativo, em que sofre com a iluminação óbvia e mesmo com a necessidade de seguir um roteiro nem sempre favorável. Enfrentando (em selvas da Tailândia) adversidades, Herzog não cede a tentações a que raramente escapam os cineastas, como o sentimentalismo. O Sobrevivente não será nunca seu melhor filme, mas é de uma integridade formidável.

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