O Festival de Cinema de Cannes abre nesta quarta-feira com a exibição de O Código Da Vinci, pondo fim à expectativa criada em torno de um dos filmes mais polêmicos dos últimos anos.
Jornalistas, que assistiram à pré-estréia na noite de terça-feira, fizeram duras críticas à adaptação de Hollywood do romance de Dan Brown, obra que enfureceu muitos católicos ao sugerir que Jesus Cristo se casou com Maria Madalena e teve um filho com ela.
O filme custou cerca de US$ 125 milhões e teve muita exposição na mídia graças a protestos religiosos liderados pelo Vaticano. A Sony Pictures espera um grande sucesso nas bilheterias, o que compensaria o fracasso de público de dois outros filmes caros lançados pelo estúdio recentemente.
A reação da imprensa na primeira exibição do filme em Cannes foi sobretudo negativa. A sala foi tomada por gargalhadas numa das cenas mais importantes. "Nada funciona. O filme não tem suspense. Não é romântico. E, certamente, não é divertido", disse Stephen Schaefer do Boston Herald.
"Parece que ficamos uma eternidade lá dentro. E você está consciente do esforço de todos trabalhando para tentar dar sentido a algo que talvez seja inviável de filmar". As estrelas do filme, Tom Hanks e Audrey Tautou, chegaram a Cannes na terça-feira num trem decorado com uma gigantesca Mona Lisa, à frente de centenas de atores e atrizes à caça de publicidade no glamuroso balneário da Riviera Francesa.
Durante 12 dias de exibições de filmes, sessões de fotos e tapete vermelho, eles terão ao seu lado astros como Halle Berry, Cate Blanchett, Bruce Willis, Gérard Depardieu, Penelope Cruz, Samuel L. Jackson, Monica Bellucci, Zhang Ziyi, Jamie Foxx e Beyonce.
Entre as outras superproduções americanas no festival estão X-Men: O Confronto Final e a animação Os Sem Floresta. O diretor espanhol Pedro Almodóvar está de volta com Volver, que conta com a atriz Penélope Cruz, e a diretora Sofia Coppola apresenta Marie Antoinette, com Kirsten Dunst no papel da jovem rainha francesa.
Entre outros destaques em Cannes estão Fast Food Nation, do diretor Richard Linklater, e o italiano Il Caimano, que satiriza o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Oliver Stone também vai exibir 20 minutos do seu ainda inacabado filme sobre os atentados de 11 de setembro nos EUA, World Trade Center.