Menu
Promoções

<i>Baixio das Bestas</i>, vencedor do Festival de Brasília, chega aos cinemas

Arquivo Geral

14/09/2007 0h00

Quase um ano depois de ser exibido na 39ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro – no qual arrematou seis prêmios, dentre eles, o de melhor filme – Baixio das Bestas estréia no circuito comercial da capital da República. Segundo longa-metragem do polêmico diretor pernambucano Cláudio Assis, o filme retrata novamente o nordeste brasileiro com o mesmo toque cru que domina Amarelo Manga, de 2001.

A trama passeia pelo tema exclusão social, exploração sexual, violência e falso moralismo. Tudo em 80 minutos de película que não economiza em cenas chocantes. Na zona rural de Pernambuco   vive a protagonista Auxiliadora (Mariah Teixeira, ganhadora do prêmio de melhor atriz no 39º Festival de Cinema de Brasília), uma menina de 13 anos explorada pelo avô Heitor (Fernando Teixeira), que exibe o corpo da neta em troca de dinheiro. Cícero (Caio Blat) é um jovem de classe média que se interessa pela garota.

Completam a história um conjunto de prostitutas – encabeçado pela passional Bela (Dira Paes) – e um grupo de jovens delinqüentes, liderados por Everardo (Matheus Nachtergaele). No pano de fundo, bóia-frias que assistem à falência do sistema de exploração da cana-de-açúcar.

Talvez seja pelo excesso de realidade cruel que o filme tenha sido vaiado quando recebeu o prêmio de melhor filme aqui em Brasília. Aprovado ou não pelo público e pela crítica, o filme foi o primeiro brasileiro a  ganhar o Tiger Award no 36° Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, além de levar o prêmio de melhor diretor no Festival de Cinema de Paris. E mesmo assim, Cláudio Assis garante que não se importa. “Se eu gosto, já é um sucesso”, dispara.

“Meu filme é de arte e não um caça-níquel da pior qualidade”, cutuca – em referência às atuais críticas recebidas pelo também diretor de cinema Daniel Filho, durante a divulgação de seu novo longa Primo Basílio. “O filme não é para agradar. Não é sabão em pó para convencer. É para discutir. Cinema é para isso, não para vender folhetim”, protesta.

“Quero filmes que façam as pessoas pensarem. Por isso, aproveito todos os planos que eu puder para fazer uma história que provoque reações. Meu cinema tem compromisso social. As mazelas do mundo são demais. A função do meu cinema é sempre de denunciar”, prossegue.

Em determinada cena de Baixio das Bestas, o discurso de Assis entra na boca do  personagem de Nachtergaele, que encara  a câmera e diz: “O bom do cinema é que ele pode tudo”. E Assis reintera a posição: “No cinema podemos ser homens sérios ou não. Na arte não fazemos concessões. Cinema é uma coisa ideológica, revolucionária. Toda arte tem compromisso. E o mundo é daqueles que de posicionam e agem”, defende.

Na telona, vislumbra-se um elenco que também deu as caras em Amarelo Manga: Conceição Camarotti, Magdale Alves, Jones Mello, além de Nachtergaele e Dira Paes. “Esses atores também assumem esse meu discurso. São companheiros num trabalho que acreditam”, explica Assis.

Para completar a trilogia que lança um olhar sobre  o nordeste, Cláudio Assis inicia a captação de recursos para A Febre do Rato, cuja trama se desenrola sob o ponto de vista de um poeta marginal que vive em Recife.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado