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Literatura está de luto

Arquivo Geral

12/10/2004 0h00

O Brasil perdeu ontem um de seus mais importantes escritores. Fernando Sabino morreu aos 80 anos no Rio de Janeiro. O velório ocorreu no Cemitério São João Batista, na capital fluminense, e o enterro está marcado para hoje. Fernando Tavares Sabino, que faria 81 anos hoje, era mineiro de Belo Horizonte. Fez o curso primário no Grupo Escolar Afonso Pena e o secundário no Ginásio Mineiro, em Belo Horizonte. Aos 13 anos escreveu seu primeiro trabalho literário, uma história policial publicada na revista Argus, da polícia mineira. Passou então a escrever crônicas sobre rádio e em pouco tempo havia feito amizade com nomes importantes da literatura nacional, como Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos. Ingressou na Faculdade de Direito em 1941, terminando o curso em 1946, transferido para a Faculdade Federal do Rio de Janeiro. Ainda na adolescência, publicou seu primeiro livro, Os Grilos Não Cantam Mais (1941), de contos. Na ocasião, Mário de Andrade escreveu-lhe uma carta elogiosa, dando início à importante correspondência entre ambos. Anos mais tarde, publicaria as cartas do escritor paulista em livro, sob o título Cartas a um Jovem Escritor (1982). Em 1944, publica a novela A Marca e muda-se para o Rio. Em 1946, Sabino foi para Nova York, onde viveu por dois anos, que lhe valeram uma preciosa iniciação na leitura dos escritores de língua inglesa. Nesse período, escreveu crônicas semanais sobre a vida americana para jornais brasileiros, muitas delas incluídas em seu livro A Cidade Vazia (1950).

internacionalFoi em Nova York que ele iniciou o romance O Grande Mentecapto, que só viria retomar 33 anos mais tarde, para terminá-lo em 18 dias e lançá-lo em 1976 (Prêmio Jabuti para Romance, em 1980), com sucessivas edições. Em 1989, esse livro serviria de argumento para um filme de igual sucesso, dirigido por Oswaldo Caldeira. Em 1952, ele lançou o livro de novelas A Vida Real, e em 1954, Lugares-Comuns – Dicionário de Lugares-Comuns e Idéias Convencionais, como complemento à sua tradução do dicionário de Flaubert. Com O Encontro Marcado (1956), seu primeiro romance, Sabino abriu em sua carreira um caminho novo dentro da literatura nacional. Morou em Londres de 1964 a 1966 e tornou-se editor com Rubem Braga (Editora do Autor, 1960, e Editora Sabiá, 1967). Seguiu-se, a partir daí, uma fase muito produtiva, assinalada pelo lançamento de livros de contos e crônicas como O Homem Nu (1960), A Falta que Ela Me Faz (1980) e O Gato Sou Eu (1983). Viajou várias vezes ao exterior, visitando países da América, da Europa e do Extremo Oriente e escrevendo sobre sua experiência em crônicas e reportagens para jornais e revistas. Passou a dedicar-se também ao cinema, realizando em 1972, com David Neves, em Los Angeles, uma série de minidocumentários sobre Hollywood para a TV Globo. A experiência lhe valeu outra inspiração: a criação da Bem-te-vi Filmes, que produziu curtas-metragens sobre feiras internacionais. Em 1990, Fernando Sabino lançou A Volta por Cima, coletânea de crônicas e histórias curtas. Em 1991, a Editora Ática publicou uma edição de 500 mil exemplares de sua novela O Bom Ladrão (constante da trilogia A Faca de Dois Gumes), um recorde de tiragem em nosso país.

polêmicaNo mesmo ano é lançado o polêmico Zélia, Uma Paixão. Em 1993, ele publicou Aqui Estamos Todos Nus, uma trilogia de ação, fuga e suspense, da qual foram lançadas em separado pela Editora Ática as novelas Um Corpo de Mulher, A Nudez da Verdade e Os Restos Mortais. Em 1994, pela Editora Record, ele lançou Com a Graça de Deus, Leitura Fiel do Evangelho, segundo o humor de Jesus. Com a virada do milênio, Sabino lança Cartas Perto do Coração (curiosa troca de correspondência entre ele e a escritora Clarice Lispector); Livro Aberto, páginas soltas ao longo do tempo; Cartas na Mesa, correspondência entre ele e Otto, Paulo e Hélio; Os Caçadores de Mentira e Cartas a um Jovem Escritor e Suas Respostas – este último revelando finalmente as respostas de Sabino às cartas escritas por Mário de Andrade. Em julho de 1999, o escritor recebeu da Academia Brasileira de Letras o maior prêmio literário do Brasil, Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Não satisfeito, doou o valor do prêmio, R$ 40 mil, a instituições destinadas a crianças carentes. Outro fato interessante ocorreu com Sabino em 1992: todos os direitos recebidos pelo autor por conta do polêmico livro Zélia, Uma Paixão – biografia autorizada de Zélia Cardoso de Mello, então ministra da Fazenda – também foram distribuídos a crianças pobres.

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    internacionalFoi em Nova York que ele iniciou o romance O Grande Mentecapto, que só viria retomar 33 anos mais tarde, para terminá-lo em 18 dias e lançá-lo em 1976 (Prêmio Jabuti para Romance, em 1980), com sucessivas edições. Em 1989, esse livro serviria de argumento para um filme de igual sucesso, dirigido por Oswaldo Caldeira. Em 1952, ele lançou o livro de novelas A Vida Real, e em 1954, Lugares-Comuns – Dicionário de Lugares-Comuns e Idéias Convencionais, como complemento à sua tradução do dicionário de Flaubert. Com O Encontro Marcado (1956), seu primeiro romance, Sabino abriu em sua carreira um caminho novo dentro da literatura nacional. Morou em Londres de 1964 a 1966 e tornou-se editor com Rubem Braga (Editora do Autor, 1960, e Editora Sabiá, 1967). Seguiu-se, a partir daí, uma fase muito produtiva, assinalada pelo lançamento de livros de contos e crônicas como O Homem Nu (1960), A Falta que Ela Me Faz (1980) e O Gato Sou Eu (1983). Viajou várias vezes ao exterior, visitando países da América, da Europa e do Extremo Oriente e escrevendo sobre sua experiência em crônicas e reportagens para jornais e revistas. Passou a dedicar-se também ao cinema, realizando em 1972, com David Neves, em Los Angeles, uma série de minidocumentários sobre Hollywood para a TV Globo. A experiência lhe valeu outra inspiração: a criação da Bem-te-vi Filmes, que produziu curtas-metragens sobre feiras internacionais. Em 1990, Fernando Sabino lançou A Volta por Cima, coletânea de crônicas e histórias curtas. Em 1991, a Editora Ática publicou uma edição de 500 mil exemplares de sua novela O Bom Ladrão (constante da trilogia A Faca de Dois Gumes), um recorde de tiragem em nosso país.

    polêmicaNo mesmo ano é lançado o polêmico Zélia, Uma Paixão. Em 1993, ele publicou Aqui Estamos Todos Nus, uma trilogia de ação, fuga e suspense, da qual foram lançadas em separado pela Editora Ática as novelas Um Corpo de Mulher, A Nudez da Verdade e Os Restos Mortais. Em 1994, pela Editora Record, ele lançou Com a Graça de Deus, Leitura Fiel do Evangelho, segundo o humor de Jesus. Com a virada do milênio, Sabino lança Cartas Perto do Coração (curiosa troca de correspondência entre ele e a escritora Clarice Lispector); Livro Aberto, páginas soltas ao longo do tempo; Cartas na Mesa, correspondência entre ele e Otto, Paulo e Hélio; Os Caçadores de Mentira e Cartas a um Jovem Escritor e Suas Respostas – este último revelando finalmente as respostas de Sabino às cartas escritas por Mário de Andrade. Em julho de 1999, o escritor recebeu da Academia Brasileira de Letras o maior prêmio literário do Brasil, Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra. Não satisfeito, doou o valor do prêmio, R$ 40 mil, a instituições destinadas a crianças carentes. Outro fato interessante ocorreu com Sabino em 1992: todos os direitos recebidos pelo autor por conta do polêmico livro Zélia, Uma Paixão – biografia autorizada de Zélia Cardoso de Mello, então ministra da Fazenda – também foram distribuídos a crianças pobres.

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