Literatura brasileira contemporânea no Centro Cultural Banco do Brasil. Para falar sobre o tema, o crítico literário Ítalo Moriconi participará hoje, às 19h30, do projeto Rodas de Leitura. O objetivo do poeta é fazer o público refletir sobre as obras e os escritores do século 20.
Dentre os poetas que Moriconi selecionou para compor a recente coletânea Os 100 Melhores Poemas Brasileiros do Século, está o escritor contemporâneo Caio Fernando Abreu, morto precocemente aos 47 anos. Moriconi vai ler, hoje, um conto representativo do universo literário do escritor, Aqueles Dois, e comentará sobre a vida e obra de Abreu. “Vou falar das minhas antologias de conto e poemas. A partir desse universo, farei uma discussão sobre o conto. E uma homenagem ao Caio”, diz Ítalo Moriconi.
Moriconi é autor dos livros de poesia Léu (1988), A Cidade e as Ruas (1992), Quase Sertão (1996) e a coletânea Os 100 Melhores Contos Brasileiros do Século. Para Moriconi, é fundamental trabalhos como o Rodas de Leitura, para expandir a leitura. “É um trabalho muito interessante, uma grande oportunidade. Mais do que formar leitores, o projeto reúne quem já é leitor, pessoas apaixonadas por leitura”, afirma o escritor.
Caio Fernando Abreu era portador do HIV e, em certos momentos, tratou de temas como Aids e sexualidade de maneira natural e profunda. Em suas obras, fala medo, solidão, sofrimento, amor e amizade de uma perspectiva atual e sincera. “Ele é um autor representativo das tendências do final do século 20, da evolução do conto”, diz Ítalo.
No ano passado, Moriconi organizou o livro Cartas, uma cuidadosa seleção das cartas e bilhetes escritos por Abreu entre 1965 e 1995. No texto Aqueles Dois, o preconceito dos funcionários de uma firma frente à sensibilidade e o amor de dois homens são retratados de forma real. Linda, uma História Horrível, fala da difícil tentativa de reaproximação com a mãe, uma mulher áspera e só.