Talvez o mais versátil cantor da cena pop na atualidade, cujos shows são comparáveis apenas aos de Madonna, o inglês descendente de gregos George Michael está de volta após cinco anos sem um disco de canções inéditas. Seu novo CD, Patience, o quinto trabalho de sua carreira solo (ele vem do Whan, banda dos anos 80) é também uma espécie de afirmação pessoal. Dentre as 14 músicas, uma em especial, Please Send Me Someone (Anselmo´s Song), abre o jogo sobre seu relacionamento com o modelo brasileiro Anselmo Feleppa, morto em conseqüência da Aids, em 1993. É a primeira vez que Michael fala abertamente sobre sua homossexualidade.
Ele se estende sobre o assunto ainda em My Mother Had a Brother, Through e American Angle, mas o faz misturando seus problemas existenciais com dor-de-cotovelo e protesto político. Puxado pela ótima Amazing, lançada como single no ano passado e rapidamente guindada aos primeiros lugares das paradas européia e norte-americana, Patience perde na comparação com dois de seus melhores trabalhos (Older, de 1996, e Listen Without Prejudice, de 1992).
Abrindo espaço para a sua opção sexual, George Michael faz de Flawless (Go To The City) o tom alto-astral deste repertório. Ao completar 40 anos de idade, o cantor, que já foi detido por atentado ao pudor em um banheiro público de Los Angeles (EUA), fazendo sexo oral, em 1998, manda um recado direto ao público gay: “Já era hora de gravar uma canção para os meninos. Acho que muita gente vai dançar ao som desta canção. Os clubes gays vão gostar”.
Com mais de 80 milhões de discos vendidos numa carreira marcada pela excentricidade e pela polêmica, George Michael não poderia obter outro resultado nesse CD. Patience tornou-se um dos campeões de pré-venda em lojas on-line conceituadas, como a Amazon.com e a CDnow.com.
O lado excêntrico de Patience está na faixa John and Elvis are Dead, escrita ao piano de calda branco que pertencia a John Lennon. George Michael pagou cerca de US$ 2 milhões pelo instrumento, fez a música e o doou em seguida. Seus fãs devem ficar atentos. Na semana passada, ele declarou que não quer mais vender CDs. Michael disse que não precisa ganhar mais dinheiro e não quer mais fama: “Patience é o último álbum”.