A dissolução do Led Zeppelin, há quase 30 anos, não conseguiu apagar o nome do grupo do olimpo dos deuses do rock. Em meio a uma forte expectativa, os integrantes remanescentes do grupo se apresentarão nesta segunda-feira na Arena O2 de Londres, para deleitar o público com seu extraordinário legado.
Que os dinossauros do rock sintam saudade dos palcos não é algo novo. Hoje em dia, o retorno de veteraníssimos dos decibéis como os membros do Sex Pistols ou do The Doors não faz mais que confirmar uma tendência que parece não parar de ganhar força.
Mas a reaparição do cantor Robert Plant, do guitarrista Jimmy Page e do baixista e tecladista John Paul Jones, os três remanescentes da formação original do Led, se transformou em uma das atrações mais aguardadas da história da música.
A desculpa para a reunião é homenagear o fundador, em 1947, da gravadora Atlantic Records, Ahmet Ertegun, em um show que pretende preencher o vazio deixado no rock desde que em 1980 morreu o baterista John Bonham.
O filho de Bonham, Jason, que aparentemente herdou os genes privilegiados de seu progenitor, assumirá as baquetas no tão esperado encontro. A incalculável influência do quarteto britânico em grupos posteriores do hard rock, o misticismo de suas letras e as viagens pelo blues e o folk em muitas de suas músicas elevaram o Led aos degraus mais altos da escala musical.
E tudo isso em meio a muitos rumores de relações obscuras de integrantes do grupo com forças ocultas e magia negra.
O show de Londres estava programado inicialmente para o último dia 26, mas teve de ser adiado porque Page sofreu uma fratura em um dedo. O guitarrista já está recuperado.
O revival quase que coincide com o lançamento, no último dia 13, de Mothership – The Very Best Of Led Zeppelin, um CD duplo que reúne 24 das músicas mais conhecidas do grupo, que se formou no longínquo ano de 1968. Ertegun foi “padrinho” dos Rolling Stones, entre outras bandas, e faleceu aos 83 anos em dezembro de 2006. Apostou no Led Zeppelin após farejar o imenso potencial do grupo.
A morte de Bonham, após ingerir várias doses de vodca com suco de laranja, deixou um buraco irreparável na música que levou à dissolução do grupo, famoso por hits como Stairway to Heaven (1971), Heartbreaker (1969) ou Whole Lotta Love (1969). O Led atuou pela última vez em Berlim em julho de 1980, apenas dois meses antes da morte de Bonham.
Embora o anúncio da separação do grupo tenha provocado consternação entre os fãs, não apagou a grande influência do trabalho de seus músicos. Desde então, foram pouquíssimas as ocasiões nas quais Page, Plant e Jones se reuniram para executar suas músicas eletrizantes. Fizeram-no, por exemplo, em 1985, por ocasião do Live Aid, um grande show cujo objetivo era arrecadar fundos para combater a fome na África. Os três também subiram ao palco três anos depois, em 1988, para celebrar o 40º aniversário da Atlantic.
Mas as conhecidas desavenças e os atritos que existiam entre John Paul Jones e os outros dois componentes da banda tornaram-se insustentáveis na década de 90, com apresentações em conjunto de Page e Plant, sem levar em conta a “existência” do veterano baixista. Talvez por isso muitos vejam no show da próxima segunda na capital britânica algo como uma “reconciliação”. É esperar para ver.