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Júri da crítica premia cinema nordestino

Arquivo Geral

30/11/2005 0h00

O júri da crítica do 38° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, reunido na manhã de ontem no Hotel Nacional, elegeu o longa-metragem baiano Eu Me Lembro, de Edgard Navarro, e o curta pernambucano Rapsódia para um Homem Comum, de Camilo Cavalcante, os melhores filmes da mostra competitiva em 35 milímetros, ambos pela novidade e impacto narrativos das respectivas tramas. Os diretores foram agraciados com o troféu Candango no palco da Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, na cerimônia de premiação, ontem à noite.

As duas produções foram eleitas em primeiro turno na votação da crítica. Navarro teve a preferência de 11 dos 17 representantes da imprensa especializada brasileira presentes. O segundo mais votado pela crítica foi O Veneno da Madrugada, de Ruy Guerra, com quatro votos. A Concepção, de José Eduardo Belmonte; e Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo, não foram lembrados. O curta de Cavalcante também disparou na frente, com 12 votos, contra cinco do segundo mais votado: O Som da Luz do Trovão, de Petrônio Lorena e Tiago Scorza.

A crítica também decidiu acrescentar às justificativas das escolhas das películas uma breve mensagem à organização do festival, pelo alto nível da seleção dos longas-metragens, exibidos entre os dias 23 e 28 de novembro.

O júri da crítica foi formado por Carlos Eduardo (Folha de Londrina), Carlos Heli (Jornal do Brasil), Cristian Petermann (Guia da Folha de São Paulo), Daniel Schenker (Tribuna da Imprensa), Eduardo Simões (Folha de São Paulo), Guilherme Lobão (Jornal de Brasília), João Carlos Sampaio (Jornal A Tarde), Júlio Cavani (Diário de Pernambuco), Lúcio Flávio (Tribuna do Brasil), Luiz Zanin Oricchio (Estado de São Paulo), Marcelo Lyra (site Petrobras), Maria do Rosário Caetano (Revista de Cinema), Marianne Morisawa (Isto é Gente), Ricardo Daehn (Correio Braziliense), Rudney Flores (Gazeta do Povo) e Ruth Guedes (O Popular).

Lúdico O prêmio concedido a Eu Me Lembro valoriza a bagagem de um cineasta experiente – militante dos formatos super-8 e 16 milímetros – que merece atenção. O diretor baiano apresenta um retrato semi-autobiográfico sobre o amadurecimento de uma criança até a juventude, amarrado por uma trilha sonora sublime e uma carga intensa de rebeldia. É um filme lúdico, que remete ao cinema felliniano (o título é uma paráfrase de Amarcord).

A sinceridade com que Navarro monta a história do personagem Guiga, reflexo de si mesmo (Navarro é, inclusive, o narrador da trama) enebria o espectador com aplicação suave de doses de nostalgia. Navarro poetiza a infância, inclina-se para o trágico, discute relações familiares e questiona Deus. Não se limita a rever o certo e o errado e apresenta com crueza a visita da puberdade, onde conhece “as melhores coisas da vida: era chupar manga, tomar banho de rio, assar castanha…”. Conhece a masturbação e a primeira prostituta. Passaram-se os anos 50 e 60.

Adulto, Guiga mergulha na liberalidade do movimento hippie. Deixa a barba crescer, acende um cigarro de maconha, tira uma lasca de cogumelo e embarca numa viagem de pó de pirlimpimpim que passa, com certo distanciamento, pela realidade brasileira dos duros anos do militarismo e alcança as estrelas do céu no plano final, como uma confraternização neo-realista com seu particular Sítio do Picapau Amarelo.

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    30/11/2005 0h00

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    As duas produções foram eleitas em primeiro turno na votação da crítica. Navarro teve a preferência de 11 dos 17 representantes da imprensa especializada brasileira presentes. O segundo mais votado pela crítica foi O Veneno da Madrugada, de Ruy Guerra, com quatro votos. A Concepção, de José Eduardo Belmonte; e Depois Daquele Baile, de Roberto Bomtempo, não foram lembrados. O curta de Cavalcante também disparou na frente, com 12 votos, contra cinco do segundo mais votado: O Som da Luz do Trovão, de Petrônio Lorena e Tiago Scorza.

    A crítica também decidiu acrescentar às justificativas das escolhas das películas uma breve mensagem à organização do festival, pelo alto nível da seleção dos longas-metragens, exibidos entre os dias 23 e 28 de novembro.

    O júri da crítica foi formado por Carlos Eduardo (Folha de Londrina), Carlos Heli (Jornal do Brasil), Cristian Petermann (Guia da Folha de São Paulo), Daniel Schenker (Tribuna da Imprensa), Eduardo Simões (Folha de São Paulo), Guilherme Lobão (Jornal de Brasília), João Carlos Sampaio (Jornal A Tarde), Júlio Cavani (Diário de Pernambuco), Lúcio Flávio (Tribuna do Brasil), Luiz Zanin Oricchio (Estado de São Paulo), Marcelo Lyra (site Petrobras), Maria do Rosário Caetano (Revista de Cinema), Marianne Morisawa (Isto é Gente), Ricardo Daehn (Correio Braziliense), Rudney Flores (Gazeta do Povo) e Ruth Guedes (O Popular).

    Lúdico O prêmio concedido a Eu Me Lembro valoriza a bagagem de um cineasta experiente – militante dos formatos super-8 e 16 milímetros – que merece atenção. O diretor baiano apresenta um retrato semi-autobiográfico sobre o amadurecimento de uma criança até a juventude, amarrado por uma trilha sonora sublime e uma carga intensa de rebeldia. É um filme lúdico, que remete ao cinema felliniano (o título é uma paráfrase de Amarcord).

    A sinceridade com que Navarro monta a história do personagem Guiga, reflexo de si mesmo (Navarro é, inclusive, o narrador da trama) enebria o espectador com aplicação suave de doses de nostalgia. Navarro poetiza a infância, inclina-se para o trágico, discute relações familiares e questiona Deus. Não se limita a rever o certo e o errado e apresenta com crueza a visita da puberdade, onde conhece “as melhores coisas da vida: era chupar manga, tomar banho de rio, assar castanha…”. Conhece a masturbação e a primeira prostituta. Passaram-se os anos 50 e 60.

    Adulto, Guiga mergulha na liberalidade do movimento hippie. Deixa a barba crescer, acende um cigarro de maconha, tira uma lasca de cogumelo e embarca numa viagem de pó de pirlimpimpim que passa, com certo distanciamento, pela realidade brasileira dos duros anos do militarismo e alcança as estrelas do céu no plano final, como uma confraternização neo-realista com seu particular Sítio do Picapau Amarelo.

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