Basta acompanhar os jogos que antecedem às Olimpíadas para notar como atletas com pouco mais de 30 anos já se sentem “velhos demais” para a disputa. Afinal, o que os diferem de seus parceiros na casa dos 20 são dez anos de treinamento intenso, com esforços repetitivos que resultam em dores nas juntas.
“Dependendo do esporte que se pratica, apenas uma única articulação é comprometida. Em praticantes de golfe, tae-kwon-do, rugby, futebol, basquetebol e tênis, por exemplo, os problemas no quadril são mais freqüentes. Quem joga futebol costuma castigar demais as articulações dos joelhos. E os jogadores de vôlei, por estarem expostos à intensa movimentação de braços, pernas e quadris, costumam apresentar os mais diversos problemas de artrite em seus tenros trinta e poucos anos”, diz Lafayette Lage, médico esportista e especialista em artroscopia de quadril.
Segundo o especialista, no estágio inicial da doença, o jogador pode se queixar de uma dor de difícil localização. E qualquer trauma durante a prática de esporte pode resultar num episódio muito dolorido para o atleta.
“Sensibilidade exagerada nas articulações, inchaço, crepitações, restrição de movimentos, atrofia muscular, enrijecimento e instabilidade articular são alguns dos principais sinais que denunciam haver uma sobrecarga de atividades. O atleta começa a sentir dor durante treinamentos e jogos, estando mais exposto a lesões”, diz o médico.
No caso de lesão no quadril, é comum o paciente sentir uma espécie de falseio ao se levantar ou um estalido na virilha. Se isto não for investigado rapidamente, pode haver a destruição irreversível do quadril atribuída a uma lesão do menisco do quadril.
Para preservar a qualidade de vida daqueles que continuam a jogar profissionalmente, o tratamento pode ir desde analgésicos e antiinflamatórios, que mantêm a dor sob controle, até a rotina de exercícios de hidro e fisioterapia.
Casos em que a cirurgia é a melhor garantia de a pessoa levar uma vida saudável contam com os avanços na área de próteses. “A cirurgia de superfície (resurfacing), que utiliza a prótese de metal-com-metal, feita em cromo e cobalto, começa a apresentar excelentes resultados no Brasil. As vantagens em relação ao modelo mais utilizado até hoje, em metal e plástico, são a durabilidade, a possibilidade de conservar maior parte do osso do paciente, preservando o colo do fêmur (que, erroneamente, costuma ser decapitado nas próteses convencionais), e de ser substituída no futuro, caso seja necessário”, afirma Lage.
“Esta é a prótese ideal para jovens, já que a parte que recobre a cabeça do fêmur é colocada como uma coroa de dente na boca, ou seja, somente se raspa a cartilagem desgastada, preservando-se o colo do fêmur. A outra parte, o acetábulo, é fixada na bacia sem cimento ósseo, permitindo uma articulação praticamente perfeita”, diz o cirurgião.