Um tribunal marroquino confirmou hoje a pena de quatro anos de prisão isenta do cumprimento determinado pela primeira instância contra o diretor do jornal “Akhbar Al Youm”, Tawfiq Bouachrine, e o caricaturista Khalid Guedar por publicar uma caricatura de um primo do rei Muhammad VI.
Além da pena, o tribunal de Apelações de Casablanca manteve a multa conjunta de 150 mil dirham (13 mil euros), assim como a obrigação de abonar 3 milhões de dirham ( 267 mil euros) por danos e prejuízos ao príncipe Moulay Ismail, e de publicar a sentença em dois jornais em árabe e outros dois franceses.
Horas depois de tornar pública a decisão, Moulay Ismail renunciar à execução da sentença que afeta a sua pessoa, após aceitar as desculpas de Bouachrine e Guedar, segundo informou seu advogado, Ali Kettani, à agência oficial “MAP”.
Bouachrine e Guedar foram condenados em duas sentenças diferentes em outubro e novembro por “falta de respeito ao príncipe” e por “ultraje à bandeira nacional”, por causa da charge em que aparecia o primo do rei, publicada nas edições dos dias 26 e 27 de setembro.
Na caricatura aparecia Moulay Ismail com um braço erguido, sorrindo, diante da bandeira do Marrocos na qual a estrela que aparece no centro da insígnia estava amostra em parte, exibindo apenas quatro de suas cinco pontas.
As autoridades marroquinas interpretaram que, no caso de não estar encoberto, o desenho teria não cinco, mas seis pontas, ou seja, seria uma Estrela de David, símbolo judeu, algo desmentido pelo próprio meio, que justificou que havia sido mal interpretado.
A publicação no jornal francês “Le Monde” e no espanhol “El País” da caricatura de Guedar e de outra na qual o caricaturista francês Plantu fazia alusão ao processo aberto contra ele no Marrocos gerou em outubro o veto das edições nas quais as charges apareciam.