Num determinado dia do passado, não importa quando, Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, resolveu abrir espaço na programação da Rede Globo para estrear uma nova faixa jornalística matinal. A exemplo do que já acontecia em outras televisões de centros mais avançadas, ele entendia que o brasileiro, naquele horário, precisava de um informativo rápido, manchetado, ágil, semelhante ao que sempre existiu no rádio, para atender as necessidades dos que saem cedo de casa para o trabalho. Foram criados Bom Dia Brasil e os telejornais locais, que hoje em quase nada conservam seus formatos originais. Entre outros argumentos, ele dizia que muita coisa acontecia durante a madrugada em todo o mundo, até pelas diferenças do fuso horário, enquanto nós, brasileiros, dormíamos. Nos dias atuais, os noticiosos do começo da manhã perderam um pouco dessa agilidade. Até se prendem a fornecer receitas culinárias, dicas dos melhores vinhos etc, mas de qualquer forma estão vivos, prontos para apresentar os principais acontecimentos daqui e de fora. O que não se admite é a postura do SBT. Apenas para cumprir tabela, Sílvio Santos programou um telejornal às seis da manhã, mas que é gravado às dez da noite do dia anterior. O que acontece nessas oito horas que separam a sua produção da apresentação, evidentemente, é ignorado pela emissora. Isto explica, entre outras coisas, o que aconteceu por ocasião da morte de Yasser Arafat. Para o telejornal do SBT, levado ao ar quatro horas depois do seu falecimento, o líder palestino continuava internado num hospital militar de Paris. É um pouco demais.