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Jornalismo fraco

Arquivo Geral

20/11/2004 0h00

Num determinado dia do passado, não importa quando, Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, resolveu abrir espaço na programação da Rede Globo para estrear uma nova faixa jornalística matinal. A exemplo do que já acontecia em outras televisões de centros mais avançadas, ele entendia que o brasileiro, naquele horário, precisava de um informativo rápido, manchetado, ágil, semelhante ao que sempre existiu no rádio, para atender as necessidades dos que saem cedo de casa para o trabalho. Foram criados Bom Dia Brasil e os telejornais locais, que hoje em quase nada conservam seus formatos originais. Entre outros argumentos, ele dizia que muita coisa acontecia durante a madrugada em todo o mundo, até pelas diferenças do fuso horário, enquanto nós, brasileiros, dormíamos. Nos dias atuais, os noticiosos do começo da manhã perderam um pouco dessa agilidade. Até se prendem a fornecer receitas culinárias, dicas dos melhores vinhos etc, mas de qualquer forma estão vivos, prontos para apresentar os principais acontecimentos daqui e de fora. O que não se admite é a postura do SBT. Apenas para cumprir tabela, Sílvio Santos programou um telejornal às seis da manhã, mas que é gravado às dez da noite do dia anterior. O que acontece nessas oito horas que separam a sua produção da apresentação, evidentemente, é ignorado pela emissora. Isto explica, entre outras coisas, o que aconteceu por ocasião da morte de Yasser Arafat. Para o telejornal do SBT, levado ao ar quatro horas depois do seu falecimento, o líder palestino continuava internado num hospital militar de Paris. É um pouco demais.

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