Depois de viver o canalha Josivaldo da novela global Senhora do Destino, o ator José de Abreu prepara para estrelar no cinema o ex-presidente Juscelino Kubitschek no filme JK – Uma Bela Noite para Voar. Dirigido por Zelito Viana, o longa-metragem tem previsão de estréia para outubro, quando completam 50 anos da eleição de JK à presidência da República. Em entrevista ao Jornal de Brasília, o ator contou a emoção de interpretar pela segunda vez o ex-presidente.
“Juscelino era um voador. Tinha imaginação, era um sonhador, quase um louco. Um ser humano fascinante”, define José de Abreu. O convite para interpretá-lo surgiu pelo fato do ator já ter vivido o político em uma peça há 20 anos, chamada JK. Na época, o José de Abreu fazia um militar na minissérie Anos Dourados.
A semelhança com Juscelino impressionou até mesmo os familiares. “Quando a peça estreou em Brasília, a gente ouvia as pessoas chorando, todo mundo dizendo que ficou muito parecido”, lembra o ator. Mas Zelito Viana não queria que Zé de Abreu vivesse o presidente. “Para fazer a peça, pesquisei muito sobre JK. Foram seis meses em Brasília em 1988, entrevistando familiares e políticos. Só com a dona Sarah tenho 12 fitas gravadas. Ele tinha medo de eu me meter no assunto, o que acabou acontecendo”, lembra.
A proximidade física também ocorre no filme. “Existe muita foto dele, então fica mais fácil de fazer a caracterização”, explica o ator. Para ele, foi fácil compor o personagem real, diante de todo o conhecimento que tinha do ex-presidente.
AviãoO filme narra 24 horas da vida de JK, boa parte em pleno vôo pelos céus do Brasil, em 1960, pouco antes de inaugurar a capital federal. Compromissos políticos, uma jovem amante, uma sabotagem de um grupo de militares, a fim de vitimá-lo, a aplicação do Plano de Metas, o projeto de construir Brasília, a ruptura com o FMI e o movimento estudantil fazem parte do dia do presidente.
O elenco conta com participações dos atores Mariana Ximenes, Marcos Palmeira, Cecil Thiré, Alexandre Borges, Julia Lemmertz e Wolf Maya. “É comédia, aventura, drama, romance. Um filme para jovem, bem popular, com ênfase na aventura amorosa”, adianta José de Abreu.
O longa foi quase todo gravado em um canteiro de obras, em um avião original da época, cedido pelo Museu da Aeronáutica, e na sala de reuniões do Palácio do Catete, ambos no Rio de Janeiro. Foram dois meses de gravações, que terminaram em dezembro de 2004. “Serão intercaladas imagens da construção de Brasília, para mostrar quando ele pegava um avião e vinha inspecionar as obras na cidade”, diz Abreu.
minissérieDe acordo com o ator, apesar de o filme ser centrado na figura de JK, ele não conta a história de vida dele. “É bem fiel, mas não é a vida dele. Para isso precisaria de umas quatro horas de duração”, afirma. O resultado de tanta pesquisa foi uma grande admiração por Juscelino. “Tenho um caso de amor com ele, me apaixonei”, diz o ator. Em conseqüência, também se envolveu com Brasília. “Adoro a cidade, quando venho aqui não consigo ir embora. Tenho muitos amigos, inclusive toda a família do JK”, afirma.
Apesar da semelhança com o ex-presidente, a escritora Maria Adelaide Amaral não escolheu José de Abreu para interpretar Juscelino Kubitschek na minissérie que vai começar a ser filmada em outubro e contará a história do político. Para viver JK na TV, Wagner Moura (o Gustavo de A Lua Me Disse) e José Wilker dividirão os papéis, nas duas fases da trama.