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Imortal que nem a música

Arquivo Geral

08/11/2003 0h00

Gente como Ary Barroso deveria viver muito mais de um século. De certa forma, assim acontece: o compositor mineiro, que completaria cem anos ontem, na prática está mais vivo do que nunca, por meio da obra que deixou. Não por outro motivo tem ganho homenagens em todo o Brasil, inclusive em Brasília, e hoje é festejado em dois canais de televisão: a Nacional e a TV Apoio.

Em comum, as emissoras têm o fato de repetir a programação especial da Rede Minas, que leva hoje ao ar, a partir das 20h, o Concerto Sinfônico Ary Barroso, gravado no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com a participação da solista Jane Duboc e da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG).

Mas é a partir das 21h que o espetáculo promete ser mais emocionante: ao vivo, diretamente da pequena e tórrida cidade de Ubá, na Zona da Mata Mineira, estará sendo transmitido o show É Luxo Só – Cem Anos de Ary Barroso, com a participação de cantores e músicos da cidade vizinha de Cataguases (terra de Maria Alcina e de Mauro Mendonça, que apresenta o concerto) e de Célia & Celma, dupla que também nasceu em Ubá. Do Rio, marcam presença no espetáculo Elza Soares e Marília Pêra.

Ary Barroso foi exatamente um compositor-ícone da era do rádio, tendo revelado ao mundo seu talento com a idade de 18 anos, quando, indo para o Rio com a intenção de estudar Direito, precisou tocar piano em cinemas e cabarés para se sustentar. Foi o bastante: interessou-se pelo teatro musical, gênero em ascensão nos anos 30, e em pouco tempo ganhou a simpatia da Rádio Philips.

No rádio, ele comandou muitos programas de sucesso, que não tardaram a levá-lo à maior novidade da época: a televisão, onde Ary ficou famoso apresentando Calouros em Desfile e Encontro com Ary. Na mesma ocasião, iniciou carreira como locutor esportivo, onde fez ainda mais sucesso. Envergava uma interpretação muito emocional e, em momento algum, disfarçou a predileção por seu time, o Flamengo. Era mais um gol bem-marcado do mineirão.

O compositor de Aquarela do Brasil sempre foi presença forte no meio musical. Já fez par com muita gente famosa, aí incluída a legendária Carmen Miranda. Seus programas de calouros revelaram gente que, anos depois, faria parte da história da música brasileira – como Dolores Duran, Elza Soares e Elizeth Cardoso.

Intransigente, era temido pelos calouros do rádio e da televisão, normalmente reagindo com indignação a quem manifestava um gosto musical diferente do seu. No caso dele, tudo bem: exigia que só se cantassem músicas nacionais. Por isso mesmo, imprimiu qualidade ao seu tempo.

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    08/11/2003 0h00

    Gente como Ary Barroso deveria viver muito mais de um século. De certa forma, assim acontece: o compositor mineiro, que completaria cem anos ontem, na prática está mais vivo do que nunca, por meio da obra que deixou. Não por outro motivo tem ganho homenagens em todo o Brasil, inclusive em Brasília, e hoje é festejado em dois canais de televisão: a Nacional e a TV Apoio.

    Em comum, as emissoras têm o fato de repetir a programação especial da Rede Minas, que leva hoje ao ar, a partir das 20h, o Concerto Sinfônico Ary Barroso, gravado no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, com a participação da solista Jane Duboc e da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG).

    Mas é a partir das 21h que o espetáculo promete ser mais emocionante: ao vivo, diretamente da pequena e tórrida cidade de Ubá, na Zona da Mata Mineira, estará sendo transmitido o show É Luxo Só – Cem Anos de Ary Barroso, com a participação de cantores e músicos da cidade vizinha de Cataguases (terra de Maria Alcina e de Mauro Mendonça, que apresenta o concerto) e de Célia & Celma, dupla que também nasceu em Ubá. Do Rio, marcam presença no espetáculo Elza Soares e Marília Pêra.

    Ary Barroso foi exatamente um compositor-ícone da era do rádio, tendo revelado ao mundo seu talento com a idade de 18 anos, quando, indo para o Rio com a intenção de estudar Direito, precisou tocar piano em cinemas e cabarés para se sustentar. Foi o bastante: interessou-se pelo teatro musical, gênero em ascensão nos anos 30, e em pouco tempo ganhou a simpatia da Rádio Philips.

    No rádio, ele comandou muitos programas de sucesso, que não tardaram a levá-lo à maior novidade da época: a televisão, onde Ary ficou famoso apresentando Calouros em Desfile e Encontro com Ary. Na mesma ocasião, iniciou carreira como locutor esportivo, onde fez ainda mais sucesso. Envergava uma interpretação muito emocional e, em momento algum, disfarçou a predileção por seu time, o Flamengo. Era mais um gol bem-marcado do mineirão.

    O compositor de Aquarela do Brasil sempre foi presença forte no meio musical. Já fez par com muita gente famosa, aí incluída a legendária Carmen Miranda. Seus programas de calouros revelaram gente que, anos depois, faria parte da história da música brasileira – como Dolores Duran, Elza Soares e Elizeth Cardoso.

    Intransigente, era temido pelos calouros do rádio e da televisão, normalmente reagindo com indignação a quem manifestava um gosto musical diferente do seu. No caso dele, tudo bem: exigia que só se cantassem músicas nacionais. Por isso mesmo, imprimiu qualidade ao seu tempo.

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