O corpo do carnavalesco e museólogo Clóvis Bornay foi enterrado ontem, às 17h, no Cemitério São João Batista, no bairro carioca de Botafogo. Bornay morreu na noite de domingo, aos 89 anos, vítima de parada cardiorrespiratória. Ele havia sido internado no Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, por volta das 15h, com grave desidratação provocada por uma infecção intestinal. Em torno das 19h, sofreu a parada.
Fluminense de Nova Friburgo, ele virou sinônimo de “extravagância” devido à carreira como idealizador de fantasias de luxo. Nascido em 1916, filho de mãe espanhola e pai suíço, iniciou sua carreira como carnavalesco em 1937, quando convenceu o diretor do Teatro Municipal do Rio a instituir um baile de gala com concurso de fantasias de luxo – na ocasião, se apresentou como Príncipe Hindu e levou o primeiro lugar.
Bornay dedicou 60 anos da sua vida a esses concursos, até ganhar o status de hors-concours e ser proibido de competir, aos 84 anos. Ele foi carnavalesco das escolas de samba Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel, ambas do Rio.
CinemaO cineasta Glauber Rocha percebeu o potencial da figura de Clóvis Bornay e o escalou para um de seus principais filmes, Terra em Transe (1967), onde contracenou com o ator Paulo Autran. O filme é considerado uma alegoria política do Brasil pós-golpe de 64. A carreira cinematográfica de Bornay também inclui Independência ou Morte, de 1972, um filme (como o próprio título indica) sobre o processo de independência do Brasil.
Bornay era museólogo, profissão que exerceu no Museu Histórico Nacional, e também se notabilizou como jurado nos programas de televisão apresentados por Chacrinha e Silvio Santos.