O27º Congresso Brasileiro de Homeopatia que está sendo realizado em Brasília, no Blue Tree Park, tem como tema Homeopatia: a Medicina do Sujeito e o Desafio Institucional. Um de seus grandes debates é exatamente o uso dessa prática alternativa, cada vez mais crescente no mundo ocidental, pela saúde pública, para o tratamento de doenças.
A Medicina, quebrando resistência dos seus mais tradicionais representantes, vê hoje a homeopatia como uma arma bastante eficaz na atenção a várias doenças, como tratamento complementar ou até mesmo exclusivo.
No Brasil, a homeopatia é reconhecida como uma especialidade da Medicina desde o início dos anos 80. Para se tornar um homeopata, é preciso cursar Medicina e depois fazer três anos de especialização ou residência.
A Medicina homeopática tem como fundamento a chamada Lei dos Semelhantes. Essa lei estabelece que uma substância capaz de provocar determinados sintomas em pessoas sadias consegue curar esses mesmos sintomas em um doente. Essa lei foi enunciada pelo pai da Medicina, o grego Hipócrates, no século 4 a.C. Porém, foi o médico alemão Samuel Hahnemann que, no século 18, sistematizou os princípios filosóficos e doutrinários da homeopatia e realizou experimentos baseando-se na Lei dos Semelhantes com várias substâncias.
Existem no mercado mais de dois mil medicamentos homeopáticos. Eles são produzidos a partir de substâncias puras derivadas dos reinos animal, vegetal e mineral. Em geral, os medicamentos homeopáticos são comercializados na forma de glóbulos, tabletes, líquidos e pós.
Um dos grandes trunfos da homeopatia, conforme seus defensores, está no atendimento individualizado que o paciente recebe. Por essa perspectiva, o médico homeopata considera cada pessoa como um ser único, com uma forma própria de adoecer e que exige um tratamento peculiar. “A homeopatia permite uma visão do paciente como um todo”, afirma a assessora- técnica e coordenadora do Subgrupo de Trabalho da Homeopatia do Ministério da Saúde, Tatiana Lotfi.
Na visão do homeopata, sua especialidade é eficaz não apenas pelo potencial dos medicamentos, mas por enfocar aspectos globais no atendimento. “A homeopatia valoriza a escuta acolhedora e as dimensões físicas, psicológicas, sociais e culturais do paciente. Isso tem a ver com a integralidade, um dos princípios do SUS”, observa Tatiana Lotfi.
A homeopatia tem ação eficaz no tratamento de várias doenças, como problemas respiratórios, alergias, diabetes, hipertensão e até depressão. Pode ser usada como tratamento complementar ou integralmente para resolver um problema de saúde. “A homeopatia ajuda a melhorar a resistência do paciente. Se ele sofre de uma bronquite ou de uma alergia, a homeopatia fortalece seu estado de saúde e faz com que ele tenha menos crises, que precise menos de medicamentos e de recorrer às emergências e às internações”, exemplifica Tatiana Lotfi.