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Homenagem a Manuel Bandeira

Arquivo Geral

14/09/2005 0h00

Durante 38 anos, a voz de Manuel Bandeira (1886-1968) andou por Brasília, Buenos Aires, Genebra, Washington, Barcelona e Rabat. Estava em uma fita que acompanhava as mudanças profissionais do diplomata Lauro Moreira. Agora, pode-se ouvir essa voz recitando 26 poemas no CD Manuel Bandeira – O Poeta em Botafogo. O lançamento será hoje, a partir das 21h, no Teatro da Caixa. Acompanhado da pianista Sônia Vieira, o diplomata recitará alguns desses poemas.

Moreira conheceu Manuel Bandeira pessoalmente em 1960, quando tinha 20 anos e o escritor estava na casa dos 70. “Tivemos um convívio inesquecível, até a morte do poeta, em 1968, quando já me encontrava em meu primeiro posto diplomático, em Buenos Aires”. Apesar da diferença de idade, Bandeira era muito amigo de Moreira e da poetiza Marly de Oliveira, com quem o diplomata se casou em 1964, tendo como um dos pares de padrinhos Clarice Lispector e o escritor.

Bandeira freqüentava sempre a casa do amigo, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro – daí surgiu o título do CD. Certa noite, o poeta disse que gostaria de gravar alguns poemas seus, argumentando que os lia “muito bem”. “Peguei o livro Obras Completas da estante, liguei o gravador e ele começou a ler os poemas”, relata o diplomata.

Durante todos esses anos, a fita mudou-se com Moreira, ficando todo esse tempo em uma caixa e outra, sem um cuidado especial. “Em 2003, eu era embaixador no Marrocos e resolvi pedir para uma rádio me deixar ouvir a fita. Quando o técnico pôs para rodar, a voz estava lá, da mesma maneira como foi gravada em 1967”, conta Moreira, hoje com 65 anos. “Que emoção ouvir aquela voz tão familiar do poeta querido, lendo como se estivesse ali, ao meu lado”, acrescenta.

Ao ouvir aquela narrativa, o embaixador decidiu homenagear o amigo e produzir esse CD. “Eu não toquei no que foi gravado. Está na ordem em que ele leu e até com alguns ruídos, como um som de buzina ao fundo, porque quis preservar a emoção daquele momento”, afirma.

Na seleção de Bandeira entraram poemas seus muito conhecidos, como Porquinho da Índia, Rondó do Capitão, Última Canção do Beco, Neologismo e Vou-me Embora pra Pasárgada. Também há poemas não tão famosos, como Noturno da Mozela.

Embora já estivesse com mais de 80 anos e enfraquecido por tanta luta contra problemas de saúde, como a tuberculose, Bandeira lê seus versos com vigor e clareza. Em uma espécie de lado B do CD, Moreira recita outras 25 criações de Bandeira, como Pneumotórax, Testamento e Evocação do Recife.

“Só as gravações de Bandeira não dariam um CD. Resolvi, então, fazer uma homenagem a ele e gravar poemas que gosto”, diz o diplomata.

SERVIÇO

Manuel Bandeira: O Poeta em Botafogo – Com o embaixador e ator Lauro Moreira e a pianista Sonia Maria Vieira. Hoje, às 21h, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul, quadra 4, Conjunto Cultural da Caixa). Entrada franca.

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    Homenagem a Manuel Bandeira

    Arquivo Geral

    14/09/2005 0h00

    Durante 38 anos, a voz de Manuel Bandeira (1886-1968) andou por Brasília, Buenos Aires, Genebra, Washington, Barcelona e Rabat. Estava em uma fita que acompanhava as mudanças profissionais do diplomata Lauro Moreira. Agora, pode-se ouvir essa voz recitando 26 poemas no CD Manuel Bandeira – O Poeta em Botafogo. O lançamento será hoje, a partir das 21h, no Teatro da Caixa. Acompanhado da pianista Sônia Vieira, o diplomata recitará alguns desses poemas.

    Moreira conheceu Manuel Bandeira pessoalmente em 1960, quando tinha 20 anos e o escritor estava na casa dos 70. “Tivemos um convívio inesquecível, até a morte do poeta, em 1968, quando já me encontrava em meu primeiro posto diplomático, em Buenos Aires”. Apesar da diferença de idade, Bandeira era muito amigo de Moreira e da poetiza Marly de Oliveira, com quem o diplomata se casou em 1964, tendo como um dos pares de padrinhos Clarice Lispector e o escritor.

    Bandeira freqüentava sempre a casa do amigo, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro – daí surgiu o título do CD. Certa noite, o poeta disse que gostaria de gravar alguns poemas seus, argumentando que os lia “muito bem”. “Peguei o livro Obras Completas da estante, liguei o gravador e ele começou a ler os poemas”, relata o diplomata.

    Durante todos esses anos, a fita mudou-se com Moreira, ficando todo esse tempo em uma caixa e outra, sem um cuidado especial. “Em 2003, eu era embaixador no Marrocos e resolvi pedir para uma rádio me deixar ouvir a fita. Quando o técnico pôs para rodar, a voz estava lá, da mesma maneira como foi gravada em 1967”, conta Moreira, hoje com 65 anos. “Que emoção ouvir aquela voz tão familiar do poeta querido, lendo como se estivesse ali, ao meu lado”, acrescenta.

    Ao ouvir aquela narrativa, o embaixador decidiu homenagear o amigo e produzir esse CD. “Eu não toquei no que foi gravado. Está na ordem em que ele leu e até com alguns ruídos, como um som de buzina ao fundo, porque quis preservar a emoção daquele momento”, afirma.

    Na seleção de Bandeira entraram poemas seus muito conhecidos, como Porquinho da Índia, Rondó do Capitão, Última Canção do Beco, Neologismo e Vou-me Embora pra Pasárgada. Também há poemas não tão famosos, como Noturno da Mozela.

    Embora já estivesse com mais de 80 anos e enfraquecido por tanta luta contra problemas de saúde, como a tuberculose, Bandeira lê seus versos com vigor e clareza. Em uma espécie de lado B do CD, Moreira recita outras 25 criações de Bandeira, como Pneumotórax, Testamento e Evocação do Recife.

    “Só as gravações de Bandeira não dariam um CD. Resolvi, então, fazer uma homenagem a ele e gravar poemas que gosto”, diz o diplomata.

    SERVIÇO

    Manuel Bandeira: O Poeta em Botafogo – Com o embaixador e ator Lauro Moreira e a pianista Sonia Maria Vieira. Hoje, às 21h, no Teatro da Caixa (Setor Bancário Sul, quadra 4, Conjunto Cultural da Caixa). Entrada franca.

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