Dor de cabeça constante, inchaço e zumbidos. A hipertensão arterial é uma doença silenciosa e perigosa, cujos sintomas só são verificados quando o quadro já está estabelecido. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 35% das mortes no País são causadas por pressão alta ou diabete. Nesse segundo caso, invariavelmente, chega-se ao primeiro problema. Um protesto simbólico será realizado hoje pela manhã, em São Paulo, para chamar a atenção do governo federal para uma doença que atinge aproximadamente 40 milhões de pessoas no País.
Considerado o Dia Mundial de Combate à Hipertensão, esse 26 de abril será marcado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia como um dia em que não se aferiu a pressão de ninguém. A simbologia do protesto dos médicos paulistas, de acordo com o diretor-executivo da SBC/Funcor, Raimundo Marques do Nascimento Neto, é para sensibilizar o governo federal sobre o déficit de medicamentos para os hipertensos. “O ato simbólico de não aferição da pressão é uma pressão social para o Ministério da Saúde enxergar o problema”, esclaece o cardiologista.
De acordo com ele, milhões de brasileiros não têm acesso ao remédio, “que é extremamente barato”. Raimundo Neto afirma, também, que a distribuição no País não é uniforme, nem constante. “Sem desmerecer o trabalho com a AIDS, o Governo Federal gastou, em 2002 com a compra de medicamentos para essa doença, US$ 135 milhões, enquanto os gastos com remédios para hipertensão e diabete foram de US$ 13 milhões”. Raimundo Marques lembra que as duas doenças associadas respondem por 35% das mortes brasileiras. E cerca de 30% dos brasileiros sofrem com hipertensão ou diabete.
O presidente da SBC, Antônio Felipe Simão, e membros da diretoria estarão no mesmo dia 26, em Brasília, para entregar uma carta ao ministro da Saúde, Humberto Costa. O documento alerta para esta situação e também traz os resultados de uma pesquisa feita nacionalmente sobre o problema.