“O coração está batendo forte”. O ator Roberto Bomtempo, que estréia como diretor no 38º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, resume assim a sua ansiedade em relação à exibição do filme Depois Daquele Baile, hoje, às 20h30, no Cine Brasília. “Eu já vim a Brasília várias vezes para acompanhar o festival. Conheço bem o público daqui, sei como ele se relaciona com esse tipo de evento, com o cinema. Como ator, a gente fica nervoso, mas é um nervosismo mais controlado. Como diretor, eu estou muito ansioso”, admite Bomtempo.
“Fiz questão que a estréia fosse aqui. Não inscrevi o filme no Festival de Gramado nem no do Rio, sempre na esperança de que seria selecionado para Brasília. E deu certo”, comemora. “Eu espero que as pessoas gostem”. Depois Daquele Baile, com Irene Ravache, Lima Duarte, Marcos Caruso, Ingrid Guimarães, Chico Pelúcio e Regina Sampaio, conta a história de Dóris (Ravache), uma viúva de 60 anos de idade, especialista em culinária mineira, que resolve oferecer serviço de pensão para poucos clientes, entre eles Freitas (Lima Duarte), um professor aposentado e mulherengo, e Otávio (Marcos Caruso), um protético hipocondríaco que vive do passado. Os dois se encantam por ela e disputam seu coração. “É um filme sobre a amizade”, define o diretor. A amizade entre os três personagens é maior que tudo”, ressalta.
Roberto Bomtempo, 42 anos e 20 de carreira, revela que quis falar também sobre a chamada terceira idade e mostrar que essa fase da vida não deve ser um “calvário para esperar a morte”, mas uma “celebração da vida”. Uma etapa como qualquer outra, em que as pessoas podem ter amigos, amores e uma atividade produtiva.
“Eu acho que as coisas mudaram tanto nos últimos dez, 15 anos, com computador, celular, tecnologia avançada na medicina… O mundo tem tantas coisas ruins e tantas boas, né? Duas boas lições de tudo isso é que a gente deve cuidar da nossa saúde a vida toda e não apenas quando está doente e que é preciso utilizar os avanços da medicina o quanto for possível para se ter uma vida mais longa e uma terceira idade saudável. O filme fala sobre isso”, diz Bomtempo.
Dirigir um elenco consagrado na sua primeira experiência como diretor – como ator, ele participou de incontáveis peças de teatro, oito novelas, cinco minisséries, além de 25 filmes, entre os quais A Guerra de Canudos, Lamarca, Quem Matou Pixote?, Dois Perdidos Numa Noite Suja e Menino Maluquinho –, foi um privilégio e um prazer para Bomtempo: “A Irene Ravache e o Marcos Caruso são atores brilhantes. O Lima Duarte, então, é fantástico! É de uma humildade e de uma generosidade incríveis. Além disso, os três são seres humanos muito fortes, pessoas muito legais”, diz. Em relação aos demais atores, comenta: “Ingrid Guimarães (a Pit, do programa Sob Nova Direção, da Rede Globo) é minha amiga de longa data. Chico Pelúcio é um grande ator, fundador do Teatro Galpão (no Rio). E a Regina Sampaio é a minha mãe”.
Orçamento Um dos maiores entraves apontados por cineastas brasileiros, o patrocínio, não foi problema para Roberto Bomtempo. Além do apoio da Ancine, ele conseguiu captar recursos privados sem maiores dificuldades. “Eu dei muita sorte. Em geral, não é assim, mas no meu caso, a Petrobras e a Bayer gostaram do filme – que custou R$ 1,2 milhão – e fecharam de cara”, conta. “Mas eu fiz tudo na ponta do lápis, porque no cinema é muito fácil perder a mão”.
O orçamento apertado não impediu que o diretor cuidasse com esmero da parte técnica. “O som é double stereo. Não há aparatos sonoros na trilha, só diálogos e música. Mas ouve-se muito bem. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado”.
Bomtempo já se prepara para filmar seu segundo longa, A Terra é Azul, que pretende provocar uma reflexão sobre o sistema educacional brasileiro. A história é sobre um professor e um aluno de classe alta, que convivem numa escola particular de Ensino Médio, e que, inicialmente, não se entendem. O professor, então, se propõe a mudar esse aluno. O filme está em fase de captação de recursos e ainda não há previsão para a estréia.
Depois Daquele Baile entra em circuito nacional em 2006, no final de março. “Não são muitas cópias, só 15, mas eu pretendo lançar o filme em todo o Brasil. Primeiro, nas principais capitais e, depois, em outras cidades”, informa Bomtempo.