A doença de Chagas ainda desperta a atenção das autoridades sanitárias brasileiras, embora tenha havido uma importante redução na transmissão em todo o País. Erradicá-la é impossível, pois a doença é transmitida pelo barbeiro, inseto necessário para o equilíbrio ecológico nas matas. Algumas medidas estão sendo tomadas para garantir o seu controle, como a eliminação do Triatoma infestans, principal espécie transmissora da doença e a única possível de ser exterminada. O Ministério da Saúde trabalha para combater os últimos focos da espécie no Brasil. Para isso, vai destinar R$ 1,31 milhão, até o final do ano, a cerca de 30 municípios baianos.
“Com os recursos repassados, o ministério espera consolidar o atual nível de controle já obtido, assim como eliminar o T. infestans da região nos próximos dois anos”, ressalta o coordenador do Programa Nacional de Combate à Doença de Chagas, Márcio Vinhaes.
Após 20 anos de ações regulares de combate e controle da doença, a área de dispersão da espécie está reduzida hoje a pequenos focos, a maior parte na Bahia.
O dinheiro destinado aos municípios baianos será usado em ações de controle químico, como borrifações domiciliares para reduzir a presença do vetor dentro das casas. O coordenador explica que o T. infestans pode ser eliminado do território brasileiro por se tratar de uma espécie introduzida no País.
Originária da Bolívia, a espécie chegou ao Brasil pela região Sul e se adaptou bem à vegetação. “Os Triatoma Infestans foram os mais importantes transmissores da doença de Chagas no País devido a sua preferência por sangue humano e ao seu elevado índice de infecção natural”, afirma Vinhaes. “Cerca de 80% dos casos de Chagas detectados no Brasil foram transmitidos por esse tipo de barbeiro”, acrescenta.