No Brasil, a média de casos de hanseníase é de 3,88 registros para cada grupo de 10 mil habitantes, número considerado alto pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para tentar diminuir esse índice, o Ministério da Saúde lançou, ontem, a primeira campanha publicitária de grande porte para o combate à doença em todo o País. Toda a divulgação será voltada para o estímulo ao diagnóstico precoce, o combate ao preconceito e a eliminação da hanseníase do quadro de doenças brasileiras até o final de 2005.
Ao todo, serão R$ 3,9 milhões para a campanha e a veiculação será feita em todas as rádios e TVs do País até o dia 25. As propagandas serão protagonizadas pelo cantor Ney Matogrosso e pela atriz Regina Casé. Nos estados que têm maior incidência da doença (Bahia, Ceará e Pernambuco), a campanha será estendida até 5 de junho.
Também serão distribuídos 500 mil cartazes e um milhão de volantes para as secretarias estaduais e municipais de Saúde. Além disso, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste – que detêm os maiores índices da doença – haverá também outdoors e busdoors.
A campanha faz parte do Plano Nacional de Eliminação da Hanseníase, com orçamento de R$ 15 milhões. Apesar de os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina já terem eliminado a doença, Mato Grosso, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí ainda contam com índice elevado da hanseníase.
Para a OMS, eliminar a hanseníase significa ter menos de um caso para cada grupo de dez mil habitantes. Para isso, a estratégia básica do Ministério da Saúde é investir nos programas de Saúde da Família, agentes comunitários de Saúde e todas as unidades do SUS na democratização do acesso ao diagnóstico. Também haverá um trabalho de reestruturação dos 36 hospitais colônias no País.
A transmissão da hanseníase ocorre por meio do contato direto e prolongado com uma pessoa não tratada. A contaminação se dá pelas vias aéreas superiores. Os sintomas são manchas esbranquiçadas e dormentes na pele. O tratamento dura de seis meses a um ano e é simples: ingestão de comprimidos distribuidos gratuitamente pelo SUS. Ao verificar algum desse sintomas, procure um posto de saúde.