Menu
Promoções

Guarani desconhece pressão alta

Arquivo Geral

23/11/2004 0h00

Apesar de os índios Guarani consumirem muito sal e pouco potássio e de apresentarem altos índices de obesidade e elevado grau de tabagismo – fatores que interferem na elevação da pressão arterial – são poucos os casos de pressão alta entre aquela população no Estado do Espírito Santo. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto do Coração de São Paulo (Incor).

Para chegar aos números que mostram como anda o coração da população indígena capixaba, pesquisadores e profissionais de saúde estudaram os principais fatores de risco cardiovascular, como por exemplo, hábitos alimentares e o comportamento social dos índios aldeados de Aracruz (ES). A pesquisa, denominada Monitoramento Cardiovascular (Monica), foi realizada entre fevereiro e dezembro do ano passado.

Entre uma população de 2.319 índios das etnias Guarani e Tupiniquim, os pesquisadores elegeram os maiores de 20 anos para a realização do estudo, ou seja, 834 pessoas. Destes, 664, cerca de 80% da população elegível, compareceram para fazer os exames, sendo 312 homens e 352 mulheres.

Enquanto nas comunidades Tupiniquim a prevalência de hipertensão arterial atingiu 20,4% da população estudada, entre os Guarani ela é de apenas 3%. O número de hipertensos na população brasileira geral adulta situa-se na casa de 15% , variando conforme a localidade, entre 9% a 30%.

O estudo também mostra que em relação aos números globais de hipertensão, ou seja entre aqueles indivíduos que foram examinados e acompanhados pelos pesquisadores, 19,6% das mulheres são hipertensas contra 17,9% dos homens. Nas populações urbanas não indígenas, a prevalência da hipertensão é maior entre os homens.

A pesquisa revela que 14,7% da população estudada sofrem de obesidade. Esse é um índice considerado elevado, levando-se em conta a média de idade do grupo estudado, 36 e 37 anos. No projeto Monica, realizado na população urbana de Vitória, cuja a média de idade foi de 45 anos, a prevalência global de obesidade foi de 18,8%.

Os pesquisadores perceberam ainda que alguns fatores ligados ao estilo de vida, como alimentação, obesidade, tabagismo e alcoolismo, normalmente determinantes na elevação da pressão e o aparecimento de hipertensão, não são relevantes na população Guarani. “Aparentemente, eles têm baixa predisposição genética para desenvolver hipertensão. Isto não acontece com os Tupiniquins, que vivem em ambiente similar”, afirma o médico e professor da Ufes, Geraldo Mill, coordenador do trabalho.

Os números registrados pela equipe de saúde indígena da coordenação regional da Funasa no Espírito Santo também comprovam a boa saúde cardíaca da população indígena do Estado. Das quatro mortes registradas no primeiro semestre de 2004, apenas uma foi causada por doença do aparelho circulatório.

    Você também pode gostar

    Guarani desconhece pressão alta

    Arquivo Geral

    23/11/2004 0h00

    Apesar de os índios Guarani consumirem muito sal e pouco potássio e de apresentarem altos índices de obesidade e elevado grau de tabagismo – fatores que interferem na elevação da pressão arterial – são poucos os casos de pressão alta entre aquela população no Estado do Espírito Santo. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e o Instituto do Coração de São Paulo (Incor).

    Para chegar aos números que mostram como anda o coração da população indígena capixaba, pesquisadores e profissionais de saúde estudaram os principais fatores de risco cardiovascular, como por exemplo, hábitos alimentares e o comportamento social dos índios aldeados de Aracruz (ES). A pesquisa, denominada Monitoramento Cardiovascular (Monica), foi realizada entre fevereiro e dezembro do ano passado.

    Entre uma população de 2.319 índios das etnias Guarani e Tupiniquim, os pesquisadores elegeram os maiores de 20 anos para a realização do estudo, ou seja, 834 pessoas. Destes, 664, cerca de 80% da população elegível, compareceram para fazer os exames, sendo 312 homens e 352 mulheres.

    Enquanto nas comunidades Tupiniquim a prevalência de hipertensão arterial atingiu 20,4% da população estudada, entre os Guarani ela é de apenas 3%. O número de hipertensos na população brasileira geral adulta situa-se na casa de 15% , variando conforme a localidade, entre 9% a 30%.

    O estudo também mostra que em relação aos números globais de hipertensão, ou seja entre aqueles indivíduos que foram examinados e acompanhados pelos pesquisadores, 19,6% das mulheres são hipertensas contra 17,9% dos homens. Nas populações urbanas não indígenas, a prevalência da hipertensão é maior entre os homens.

    A pesquisa revela que 14,7% da população estudada sofrem de obesidade. Esse é um índice considerado elevado, levando-se em conta a média de idade do grupo estudado, 36 e 37 anos. No projeto Monica, realizado na população urbana de Vitória, cuja a média de idade foi de 45 anos, a prevalência global de obesidade foi de 18,8%.

    Os pesquisadores perceberam ainda que alguns fatores ligados ao estilo de vida, como alimentação, obesidade, tabagismo e alcoolismo, normalmente determinantes na elevação da pressão e o aparecimento de hipertensão, não são relevantes na população Guarani. “Aparentemente, eles têm baixa predisposição genética para desenvolver hipertensão. Isto não acontece com os Tupiniquins, que vivem em ambiente similar”, afirma o médico e professor da Ufes, Geraldo Mill, coordenador do trabalho.

    Os números registrados pela equipe de saúde indígena da coordenação regional da Funasa no Espírito Santo também comprovam a boa saúde cardíaca da população indígena do Estado. Das quatro mortes registradas no primeiro semestre de 2004, apenas uma foi causada por doença do aparelho circulatório.

      Você também pode gostar

      Assine nossa newsletter e
      mantenha-se bem informado