Foi assustadora a performance de audiência da TV Globo na noite da última terça-feira. Assustadora porque, mais do que nunca, deixa claro que essa emissora não enxerga nenhuma ameaça no seu retrovisor. E isso é péssimo, inclusive para a própria Globo, que necessita de uma concorrência saudável para não cair na mesmice, na acomodação. O problema é que, se depender mesmo dos esforços de seus rivais, vai ficar cada vez mais difícil. O capítulo de Senhora do Destino, terça, em que Nazaré (Renata Sorrah) tomou uma surra de Maria do Carmo (Suzana Vieira), emplacou média de 58 pontos e pico de 62. Tem mais: em São Paulo, a novela de Aguinaldo Silva foi sintonizada por 79% dos domicílios com tevês ligadas no horário.
O leitor deve estar se perguntando: e os outros canais, como reagiram? O SBT, que normalmente faz alguma frente, registrou apenas 4 pontos, mesmo índice anotado pela Record. Bandeirantes, Cultura e Rede TV! quase sumiram do mapa: deram 1 ponto. Um quadro lamentável. E alguém, mais desavisado, poderia até declarar que se tratava de um dia atípico, uma vez que a cena do duelo das duas personagens vinha sendo muito aguardada pelos telespectadores da história. O que mais assusta é que não existe a menor perspectiva de interromper esse passeio global. Não há investimento, imaginação e nem mesmo vontade por parte dos outros canais. Todos continuam ali, no tradicional arroz com feijão, mais ou menos temperado, observando a líder quebrar recordes de audiência. Com esse monopólio abençoado por suas rivais, a Globo segue no campeonato ao melhor estilo Ferrari. Sem concorrentes. Pior, também, para quem está do outro lado: o público fica sem alternativas.