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Gibis brasileiros entram em nova era

Arquivo Geral

27/10/2004 0h00

Personagens fofos e histórias politicamente corretas não são com eles. Na contramão do mercado editorial, que ainda parece acreditar que gibi é coisa de criança, uma turma de jovens artistas está mexendo seus pincéis para conquistar um lugar nas bancas com quadrinhos, charges e cartuns nada infantis.

Mês que vem, estréia nas prateleiras a F., revista de humor capitaneada por Allan Sieber (do curta Deus é Pai), Leonardo e Arnaldo Branco. Com a F., chega a quatro o número de publicações do gênero surgidas só no Rio no últimos 12 meses.

A mais antiga dessa turma, que preza a irreverência e a liberdade acima de qualquer coisa, é a Mosh, que domingo comemora um ano de vida com festa no Rio de Janeiro. Dedicada ao público roqueiro, a revista tem formato de bolso, é bimestral e custa R$ 3. Além de quadrinhos antenados com o eterno lema sexo, drogas e rock, cada edição traz uma entrevista com bandas novas, como a Canastra.

“Há pesquisas que dizem que o Brasil tem 36 mil bandas de garagem, e nosso objetivo é dar mídia para essa galera alternativa, que está começando”, conta Lobo, editor da Mosh e um dos donos da Gibiteca, editora que também está por trás do lançamento da F., que chega às bancas no fim de novembro e deverá custar R$ 5. A primeira edição traz uma entrevista com o diretor Cláudio Assis e faz troça de figurões da cultura nacional. Nem Jesus Cristo escapa das gracinhas dos chargistas.

A publicação da Mosh e da F. só é viável, diz Lobo, porque “tudo é na camaradagem”, ou seja, os colaboradores trabalham de graça. A mesma política vigora no Tarja Preta, fanzine criado, produzido e divulgado pelo jornalista Matias Maxx. A publicação reúne desenhos da trinca da F. – Arnaldo Branco publica lá, com exclusividade, Remedinhos do Mal e Capitão Presença – e de outras figuras conhecidas da área, como Fábio Zimbres e Schiavon.

liberdade”Lamentavelmente não tenho como pagar ninguém, então também não posso exigir prazos”, conta Matias, que tem dificuldades para conseguir anunciantes por conta do “caráter antiproibicionista” da revista, como ele diz. “Prefiro fazer num papel vagabundo, com defeitinhos de fábrica, mas fazer do jeito que eu quiser”, afirma ele.

A liberdade de expressão e a ousadia dos quadrinhos da revista têm garantido boa acolhida do público jovem, mas dor-de-cabeça a pais conservadores. Dia desses o aluno de um tradicional colégio católico do Rio foi suspenso depois de ser flagrado com uma edição do Tarja Preta na sala de aula.

“A professora e a mãe do moleque ficaram horrorizadas, mas o pai ficou amarradão e quis até comprar”, diverte-se Matias, que também dá guarida para as criações de Dúnia, uma das poucas mulheres a se aventurar pelo mundo dos quadrinhos.

Há dois meses a amazonense radicada no Rio publicou Terríveis Desenhinhos, com uma reunião dos monstrengos criados por ela. Pagou os mil exemplares do próprio bolso, mas já pensa na próxima edição. “É difícil ser independente, mas vale a pena”, diz Dúnia. Assim como ocorre com os demais autores, ela tem seu público.

serviço

Onde comprar – Lojas especializadas em HQ (Kingdom Comix, no Conic) ou na Internet: www.revistamosh.com; www.cucaracha.com.br/

tarjapreta, e www.blogode-desenho.blogspot.com.

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    Gibis brasileiros entram em nova era

    Arquivo Geral

    27/10/2004 0h00

    Personagens fofos e histórias politicamente corretas não são com eles. Na contramão do mercado editorial, que ainda parece acreditar que gibi é coisa de criança, uma turma de jovens artistas está mexendo seus pincéis para conquistar um lugar nas bancas com quadrinhos, charges e cartuns nada infantis.

    Mês que vem, estréia nas prateleiras a F., revista de humor capitaneada por Allan Sieber (do curta Deus é Pai), Leonardo e Arnaldo Branco. Com a F., chega a quatro o número de publicações do gênero surgidas só no Rio no últimos 12 meses.

    A mais antiga dessa turma, que preza a irreverência e a liberdade acima de qualquer coisa, é a Mosh, que domingo comemora um ano de vida com festa no Rio de Janeiro. Dedicada ao público roqueiro, a revista tem formato de bolso, é bimestral e custa R$ 3. Além de quadrinhos antenados com o eterno lema sexo, drogas e rock, cada edição traz uma entrevista com bandas novas, como a Canastra.

    “Há pesquisas que dizem que o Brasil tem 36 mil bandas de garagem, e nosso objetivo é dar mídia para essa galera alternativa, que está começando”, conta Lobo, editor da Mosh e um dos donos da Gibiteca, editora que também está por trás do lançamento da F., que chega às bancas no fim de novembro e deverá custar R$ 5. A primeira edição traz uma entrevista com o diretor Cláudio Assis e faz troça de figurões da cultura nacional. Nem Jesus Cristo escapa das gracinhas dos chargistas.

    A publicação da Mosh e da F. só é viável, diz Lobo, porque “tudo é na camaradagem”, ou seja, os colaboradores trabalham de graça. A mesma política vigora no Tarja Preta, fanzine criado, produzido e divulgado pelo jornalista Matias Maxx. A publicação reúne desenhos da trinca da F. – Arnaldo Branco publica lá, com exclusividade, Remedinhos do Mal e Capitão Presença – e de outras figuras conhecidas da área, como Fábio Zimbres e Schiavon.

    liberdade”Lamentavelmente não tenho como pagar ninguém, então também não posso exigir prazos”, conta Matias, que tem dificuldades para conseguir anunciantes por conta do “caráter antiproibicionista” da revista, como ele diz. “Prefiro fazer num papel vagabundo, com defeitinhos de fábrica, mas fazer do jeito que eu quiser”, afirma ele.

    A liberdade de expressão e a ousadia dos quadrinhos da revista têm garantido boa acolhida do público jovem, mas dor-de-cabeça a pais conservadores. Dia desses o aluno de um tradicional colégio católico do Rio foi suspenso depois de ser flagrado com uma edição do Tarja Preta na sala de aula.

    “A professora e a mãe do moleque ficaram horrorizadas, mas o pai ficou amarradão e quis até comprar”, diverte-se Matias, que também dá guarida para as criações de Dúnia, uma das poucas mulheres a se aventurar pelo mundo dos quadrinhos.

    Há dois meses a amazonense radicada no Rio publicou Terríveis Desenhinhos, com uma reunião dos monstrengos criados por ela. Pagou os mil exemplares do próprio bolso, mas já pensa na próxima edição. “É difícil ser independente, mas vale a pena”, diz Dúnia. Assim como ocorre com os demais autores, ela tem seu público.

    serviço

    Onde comprar – Lojas especializadas em HQ (Kingdom Comix, no Conic) ou na Internet: www.revistamosh.com; www.cucaracha.com.br/

    tarjapreta, e www.blogode-desenho.blogspot.com.

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