O mundo literário brasileiro amanheceu órfão ontem, com a morte da escritora Rachel de Queiroz, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Recentemente, a escritora havia sofrido um acidente vascular cerebral. O corpo foi velado na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio, e será enterrado hoje, às 9h. Madrinha dos Fuzileiros Navais, ela recebeu homenagem da corporação no velório e também será homenageada no enterro. Conforme era seu desejo, vai ser sepultada no mesmo túmulo onde está o corpo do seu marido, com quem viveu por 42 anos.
Nascida em Fortaleza, no Ceará, Rachel mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1917, fugindo da seca. Vinte e três anos mais tarde, seu primeiro romance, O Quinze, abordou esse tema. Rachel atuou como professora, jornalista, romancista, cronista e teatróloga.
Dois anos depois de formada no curso normal, feito em Fortaleza, ela estreou no jornalismo assinando com o pseudônimo de Rita de Queluz. O primeiro texto foi publicado no jornal O Ceará, e lhe abriu caminho para assumir o cargo de redatora. Nascida em uma família de intelectuais, em 1930 ela lançou o romance O Quinze, que tornou seu nome conhecido em todo o meio literário brasileiro.
No ano seguinte, ganhou o Prêmio da Fundação Graça Aranha, e também publicou o seu segundo romance, João Miguel. O terceiro, O Caminho das Pedras, veio em 1937. Dois anos depois, a escritora recebeu mais um prêmio, da Sociedade Felipe d´Oliveira, pelo romance As Três Marias. Em 1939, Rachel passou a escrever nos jornais Diário de Notícias, O Cruzeiro e O Jornal. Anos mais tarde, colaborou também com os jornais O Estado de São Paulo e Diário de Pernambuco.
Sempre desenvolveu sua consciência política, tendo chegado a militar no PCB. Mas não professava a convivência intensa de política e literatura. “Eu não acredito em literatura engajada”, disse, certa vez. “A literatura engajada é uma pregação, não é literatura”. Foi a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de número 5.
Ela estava dormindo quando “fez a passagem” – como os espíritas e pessoas que crêem na reencarnação se referem à morte. No caso de Rachel, independentemente da crença de seus milhões de leitores, fica uma obra imortal.